padre casado

Ninguém pode negar: o papa Francisco é um político genial. O documento final da assembleia do Sínodo na Amazônia confirma-o novamente.

Todos esperavam que o documento pedisse simplesmente que, doravante, fosse possível a ordenação sacerdotal de homens maduros e comprovados, os viri probati. Ao menos aparentemente, não há nada semelhante ali: como se as maiores críticas de todos os lados tivessem sido ouvidas, a assembleia, liderada por mão segura, não se comprometeu nesse sentido.

Por outro lado, o documento propõe, no nº 111, a ordenação sacerdotal de diáconos permanentes, eventualmente casados, solicitando-se que a autoridade competente estabeleça critérios para transformar em padres “homens de boa reputação e reconhecidos pela comunidade, que exerçam um diaconato permanente e fecundo”, que tenham uma “família estável, legitimamente estabelecida”. É uma fresta astuciosa, através da qual pode penetrar na Igreja, sem dar muito na vista, a ordenação de padres casados.

Pode-se até apoiar num precedente: a disciplina das igrejas orientais. Essas fazem do diaconato uma espécie de calço ou cunha, em que os candidatos ao sacerdócio, que esperam casar-se, procuram fazê-lo antes do diaconato, para que não sejam mantidos para sempre no celibato sacerdotal.

Poder-se-á, agora, tornar padres esses quase padres, que são os diáconos casados. Para ter acesso ao sacerdócio, basta que os candidatos casados sejam ordenados diáconos “permanentes” (a etapa do diaconato é uma obrigação disciplinar rigorosa).

A medida “libertadora” não terá dificuldades para se tornar universal. Os bispos de nossas regiões (penso em Langres, Rodez, Auch), tão pobres de padres como a Amazônia, não tardarão em breve a pedir a ordenação de seus diáconos permanentes. E o celibato sacerdotal, imitação de Cristo, glória ascética da Igreja romana, terá deixado de existir.

https://www.hommenouveau.fr/2989/res-novae/pretres-maries—la-lucarne-des-diacres-permanents.htm