fariseu e publicano

A oração do fariseu é quase uma paródia dos salmos de ação de graças (v., por exemplo, os Salmos 30 e 118). Em vez de louvar a Deus por Suas obras poderosas, o fariseu glorifica a si mesmo pelos próprios atos, que vai arrogantemente apresentando a Deus.

O cobrador de impostos mantém-se à distância, muito envergonhado de erguer os olhos para Deus (v. Esdras 9, 6). Ele reza com um coração humilde e contrito (v. Salmo 51,19), sabendo que diante de Deus ninguém é justo, ninguém tem do que se vangloriar (Romanos 3,10; 4, 2).

Vemos, na Liturgia de hoje, um dos temas permanentes das Escrituras: Deus “não faz discriminação de pessoas”, como nos é dito logo na Primeira Leitura (v. também 2 Crônicas 19, 7; Atos 10, 34-35; Romanos 2,11).

Deus não se deixa subornar (Deuteronômio 10, 17). Não podemos obter favores do Senhor, ou impressioná-Lo, nem mesmo com nossas boas ações ou nossa fiel observância dos deveres religiosos, como a prática do dízimo e do jejum. Se tentarmos nos exaltar diante de Deus, como fez o fariseu, seremos humilhados (Lucas 1, 52).

Isso deve ser um aviso para nós: não nos orgulharmos de nossa vida piedosa, não cairmos na presunção de pensar que somos melhores que os outros, que “não somos como o restante da humanidade pecadora”.

Se nos revestirmos de humildade (v. 1 Pedro 5, 5-6), reconhecendo que somos todos pecadores necessitados de Sua misericórdia, então seremos exaltados (v. Provérbios 29, 33).

A oração dos simples e dos humildes atravessa as nuvens. É o que Paulo testemunha na Epístola de hoje, enquanto agradece ao Senhor por dar-lhe forças durante a sua prisão.

Paulo nos diz o mesmo que canta o salmista neste domingo: o Senhor liberta a vida dos seus servos humildes.

Nós também devemos servi-Lo de bom grado. E Ele nos ouvirá em nossa angústia, livrando-nos do mal, conduzindo-nos com segurança ao Seu reino celestial.

https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/no-favorites-scott-hahn-reflects-on-the-thirtieth-sunday-in-ordinary-time/