eco-pecado

[Para o padre irlandês George J. Woodall, que ensina Teologia Moral no Pontifício Ateneu Regina Apostolorum de Roma, não há eco-pecados. Todo pecado é contra Deus. No caso de abusos contra o meio ambiente, são inicialmente pecados contra a natureza humana, contra o próximo. A natureza sub-humana afeta a natureza humana. Negar, menosprezar ou obscurecer a verdadeira diferença entre o ser humano e todos os outros elementos da criação não é apenas um grande erro, mas também uma violação da fé.]

Vários filósofos afirmam que o ser humano não é senão um animal, assim como atribuem o conceito de pessoa aos animais, dando-lhes direitos. Por outro lado, apóiam a legalidade da eliminação do ser humano, através, por exemplo, do aborto. Não estamos falando de um pensamento marginal, mas de uma posição cada vez mais difundida, explícita e influente.

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Negar, menosprezar ou ofuscar a verdadeira diferença entre o ser humano e todos os outros elementos da criação não é apenas um grande erro, mas também uma violação da fé. A Bíblia é muito clara sobre essa distinção. Mesmo Santo Tomás se pergunta se é lícito matar qualquer ser vivo e responde claramente que o mundo sub-humano é dado ao homem para as suas necessidades; ele não deve explorá-lo de forma irresponsável, não deve ser cruel com os animais, mas pode usá-los. Negar isso é uma violação da fé.

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Os animais não têm direitos, deve ser dito claramente. E, ao mesmo tempo, devemos afirmar que temos responsabilidades em relação aos animais, porque eles fazem parte da criação de Deus. Animais, por exemplo, são seres sensíveis, que sentem prazer e dor; reconhecendo sua natureza, dada pelo Criador, não podemos ser cruéis ou explorá-los insensatamente. Em vez disso, podemos usá-los na medida do necessário.

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Os dois mandamentos que dizem respeito às “coisas” (7º e 10º) devem sempre ser considerados em relação aos outros e são o espelho do nosso amor a Deus. Parece-me que os chamados “pecados ecológicos” devem ser entendidos corretamente: se explorarmos os bens da terra desperdiçando os recursos destinados ao bem de todos, então estamos fazendo um mal ao próximo, tanto no presente quanto no futuro: é o conceito de “justiça intergeracional”, presente na encíclica [de Bento XVI] Caritas in Veritate. Todo pecado é primariamente contra Deus e, neste caso, é contra a natureza humana, contra o próximo. A natureza sub-humana afeta a natureza humana.

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A natureza em si mesma pode ser terrível. Quando os cientistas dão o melhor de si, podemos chegar a um controle da natureza que nos permite impedir inundações, limitar os danos de um terremoto, prevenir epidemias. Sem essa atividade humana, a natureza pode se tornar madrasta e não teríamos a chance de nos proteger. Não há paraísos nesta terra, nem mesmo paraísos ecológicos.

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