índio

[Homilia de Dom José Luiz Azcona, bispo emérito do Marajó, PA, na Santa Missa de 15 de outubro de 2019, na Basílica de Nazaré, em Belém, PA.]

Em muitos lugares do documento Instrumento de trabalho [documento preparatório do Sínodo da Amazônia], se apresenta o indígena como um ser perfeito, como a realização da humanidade no mais alto nível a que pode chegar, especificamente com relação à integração com  as forças da natureza, com os espíritos, com o próprio Deus,  entre as pessoas etc.

Nunca se fala da conversão, do pecado: eles são uma raça especial, etnias especiais, praticamente incontaminadas, as quais não precisam da salvação e do evangelho de Deus (…) Segundo o Instrumento de trabalho, é dessas etnias indígenas que vai proceder a amazonização da Igreja…

(…) Também os indígenas pecaram. Também eles, que conheceram a Deus e não lhes deram glória, mas adoraram as criaturas, animais, totens, fetiches, em rituais de todo tipo, espíritos bons e espíritos maus. Mas esses espíritos bons estão sob o domínio de Cristo, único salvador? E se não estão, vem dos demônios.

Entre os indígenas, como entre nós urbanos, tem ladrão, tem pessoas invejosas, tem adúltero, tem infanticida, tem bêbado, tem suicida. Tem grupos étnicos que eliminaram outros grupos étnicos. Tem etnias indígenas humilhadas por outras.

Todos pecaram, e também os indígenas. E se se quer tirar deles a salvação para o mundo inteiro, antes tem que ser evangelizados pelo arrependimento e a contrição dos pecados. Como todos os humanos, eles não são super-homens. Todos pecaram! E todos necessitam da graça de Deus, da glória de Deus (…) A Igreja existe para evangelizar, o sínodo existe para evangelizar. E o que é que vamos evangelizar? Cristo, e Cristo crucificado.

Veja a homilia inteira aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Vl8hTFMIWE4