Missa da terra sem males

O jornalista Nico Spuntoni, do jornal italiano La nuova bussola quotidiana, publicou no dia 14/10/2019 uma interessante matéria sobre a “Missa pela Terra sem males”, escrita pelo bispo Pedro Casaldáliga e já condenada por São João Paulo II. Foi “encenada” no dia 12/10/2019 na Igreja de Santa Maria, na Transpontina, a propósito do Sínodo da Amazônia. Teve a presença do novo cardeal canadense Michael Czerny.

Foi uma provocação ao Dia de Colombo, data em que se comemora a descoberta da América pelos europeus, que trouxeram o cristianismo e a civilização repressora do Ocidente…

O texto da “Missa pela Terra sem males” (leia aqui), que pretende ser uma paródia provocadora da verdadeira Missa, não passa de uma fraca peça literária, cheia dos lugares-comuns da poesia engajada de esquerda  dos anos sessenta. O espírito que lhe dá forma é o mais ingênuo rousseauísmo, a defesa do “bom selvagem” que perdeu o seu paraíso terrestre quando Cristóvão Colombo pisou nas terras americanas com suas malévolas botas cristãs.

No cenário da “Missa pela Terra sem males”, “celebrada” em Roma no último sábado, havia de tudo: tecidos com estampas nativas espalhados pelo chão; cartazes com slogans e informações sobre indígenas (um banner trazia a fotografia de uma mulher indígena de peito nu que, enquanto segura um bebê, alimenta um filhote de lobo;); estatuetas de ídolos (com a índia grávida já vista na cerimônia nos jardins do Vaticano, durante a abertura do Sínodo); imagens de animais, como papagaio ou cobra. Um cenário tropical e primitivista que parecia saído de um livro de poemas de Oswald de Andrade, no mais manjado estilo antropofágico. O sermão, feito em português, atacava o capitalismo, a exploração ambiental e a perseguição dos povos indígenas.

“Não se trata de religiosidade popular”, comenta com acerto Nico Spuntoni, “mas de experiências que vinham de cima para baixo, na tentativa de assimilar as celebrações litúrgicas dos antigos mitos dos índios brasileiros, como a da busca pela terra sem males, na esteira assinalada pela Teologia da Libertação desde a segunda metade dos anos sessenta.” O bispo Pedro Casaldáliga é um missionário espanhol; e a cerimônia que produziu pode ser tudo, menos algo derivado da cultura nativa dos índios. É pura manipulação política dos mais indefesos.

É a liturgia pagã da “Igreja com rosto amazônico”, cujas celebrações não exigem sacerdotes ordenados: qualquer um pode se habilitar. Há um vídeo no youtube (aqui) com a gravação de uma “Missa da terra sem males”, encenada na Catedral da Sé em 1979.

https://lanuovabq.it/it/pure-un-cardinale-alla-messa-pagana-condannata-da-gpii