Annunciation 1

Todas as pessoas mais ou menos normais gostariam de ser eternas, fazendo perdurar para sempre aquilo que as deixam mais felizes. Se os animais falassem, certamente exprimiriam um desejo semelhante, e, em coro com eles, todo o reino vegetal, reafirmando o grande sim à vida com suas plantas, árvores, flores.

Nada do que vive preferiria morrer; e quando um homem, no suicídio ou nas grandes depressões, faz a opção pela morte, é ainda em nome da vida que o fazem: da vida que gostariam de ter e não têm.  A vida é uma ordem, disse certa vez um poeta que não acreditava na vida eterna. Os ateus mais convictos amariam ser eternos; e muitas vezes culpam Deus por Deus não existir…

Como se não bastasse esse coro unânime na comunidade das criaturas, o próprio autor da vida, Deus, deixou bem claro, no livro que fez os homens escreverem em Seu nome, que a espécie humana não foi produzida para a morte, mas arrancada do nada para ao nada nunca mais retornar.

Mesmo o mundo material — é a Bíblia que o garante — não foi feito para a destruição. Depois que o criou, Deus viu que era bom, e um dia, além do tempo e da História, o transfigurará. Tais como estão hoje, céus e terra passarão, mas para dar lugar a novos céus e uma nova terra, segundo a visão de São João Evangelista, no Apocalipse.

Como prova de seu apreço pela matéria criada, Deus veio revestir-se de nossa carne efêmera corrompida pelo pecado, embora planejada sob medida, antes de todos os séculos, para um dia acolhê-Lo no tempo e sobretudo depois do tempo. Três dias depois de morrer por nós, ressuscitou — dando início, então, à obra de recuperação da matéria criada, que se completará no Dia do Juízo. Jesus esteve num corpo igual ao nosso não só por trinta e três anos, mas nele estará para todo o sempre, Deus humanado, homem para sempre.

O homem quer ser eterno, pois Deus o fez para a eternidade. O materialismo não passa de uma fofoca do diabo contra o Deus criador e generoso.