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“O Rei Leão: um subproduto de síntese insípida e sempre conservador”, é o título de Inrocks [revista francesa] em mordaz e furiosa crítica do remake do famoso desenho animado dos anos 90. Não seria preciso mais nada para que fôssemos logo ver.

E, de fato, a agressividade da revista favorita dos tolos é justificada. Se as imagens esplêndidas, em tomadas “reais”, são uma novidade que por si só justificaria a ida ao cinema, o resto permanece inalterado.

E é aqui que está a delícia desse filme: a oposição entre tradição e modernidade, bem destacada, de um lado, pelo personagem Mufasa, e de outro por Timon, Pumba e as hienas.

O que é, pois, mais tradicional e mais conservador que um monarca, mesmo que seja um animal, ensinando ao seu herdeiro que o sentido de sua missão é, antes de tudo, o serviço e o respeito por seus deveres? E o que dizer, ao contrário, de Timon e Pumba, alegorias do esquerdista contracultural, cujo credo “Hakuna Matata” está bem explícito no “não se preocupe”, “nada de obrigações”, “abaixo toda responsabilidade”?

O personagem principal, Simba, dividido entre seus deveres de príncipe herdeiro e sua vida hedonista, acabará no entanto por decidir-se, seguindo o caminho da fidelidade às suas origens e assumindo  seu papel de rei.

As crianças vão rir das palhaçadas de Timon e Pumba. Os saudosos do desenho animado vão adorar a atmosfera musical, preservada e sublimada por Hans Zimmer. Os mais politicamente incorretos não podem deixar de ver, nas hienas, que invadem o novo Eldorado com a cumplicidade de um usurpador — e o arruínam descaradamente —, uma referência involuntária, mas muito real, aos últimos acontecimentos migratórios.

Le Roi Lion : une ode au conservatisme