Assunção

O mais recente dos dogmas marianos é a Assunção, pronunciada pelo papa Pio XII em 1950. Esse dogma afirma que, cumprido o seu tempo na terra, a Virgem Maria foi levada de corpo e alma para o céu.

Como a Imaculada Conceição, a Assunção não é um evento registrado nas Escrituras. De fato, a última menção à Virgem Maria na narrativa bíblica se dá no contexto da Igreja primitiva, nos dias entre a Ascensão e Pentecostes (Atos 1:14).

Mas na constituição apostólica Munificentissimus Deus (“Um Deus muito generoso”), Pio XII apontou para a longa herança de crença na Assunção, uma antiga tradição expressa em homilias, orações, dedicação de igrejas e celebração de liturgias.

Subjacente a essa tradição estava um rico veio de meditação e interpretação bíblica. E, no centro dessa tradição, está a visão misteriosa de Apocalipse 12: a Rainha-Mãe celestial retratada nesta visão é tanto um símbolo da Virgem Maria como um símbolo da Igreja.

Nesta lição, queremos olhar mais de perto para esta visão. Vamos examinar como ela sustenta o dogma da Assunção. E, através de um estudo detalhado do texto, também veremos como essa visão reúne muitas das figuras do Antigo Testamento usadas para descrever a Virgem Maria e seu lugar central no plano de salvação de Deus.

A interpretação da Igreja desses textos bíblicos pode ser encontrada nas leituras da Missa para a Festa da Assunção e para a Vigília da Assunção, de 14 a 15 de agosto.

A vigília para a festa começa com uma leitura do primeiro livro de Crônicas (1 Crônicas 15: 3-4, 15-16; 16: 1-2), sobre Davi trazendo “a arca do Senhor para o lugar que havia preparado para isso”. O salmo para a Vigília celebra igualmente esse evento: “Levantai-vos, Senhor, para vir ao vosso repouso, vós e a arca de vossa majestade.”

A epístola agradece pela vitória sobre a morte que Cristo nos conquistou (1 Coríntios 15: 54-57). O evangelho celebra a Virgem Maria como não apenas a mãe de Cristo, mas como alguém que ouviu a palavra de Deus e acreditou (Lucas 11: 27-28).

A Missa para a Festa da Assunção começa com uma leitura do Apocalipse e uma visão da arca no templo celestial (Apocalipse 11: 19-12: 1-6, 10). O salmo representa uma rainha à direita do rei (Salmo 45), enquanto a epístola visualiza Cristo como o Rei, colocando Seus inimigos sob Seus pés – inclusive a morte, o último inimigo (1 Coríntios 15: 20-27).

Finalmente, o evangelho da festa é a visita da Virgem Maria a Isabel (Lucas 1: 39-56), que descreve Maria como a Arca da Aliança.

Portanto, nas liturgias da Assunção vemos a Igreja identificando-se a si mesma como o cumprimento de numerosas figuras do Antigo Testamento. A Virgem Maria é mostrada como a Arca da Aliança, conduzindo a presença do Senhor. E nós a vemos descrita como a Filha de Sião, a nova Eva e a Rainha do Céu.

Também a vemos como um símbolo de todo o povo de Deus. O Apocalipse descreve seus descendentes como aqueles que guardam os mandamentos de Deus e possuem o testemunho de Jesus (Apocalipse 12, 17). Ela é saudada pelo próprio Jesus, na liturgia, como “abençoada”, pois ouviu a Palavra de Deus e a pôs em prática (Lucas 11: 27-28).

Retratada nas Escrituras como o modelo dos crentes e como a nova Eva, é apropriado que o dogma e a veneração da Igreja associem a Virgem Maria à vitória de Cristo sobre a morte, que veio ao mundo através do primeiro Adão e da primeira Eva (1 Coríntios 15: 20-27).

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