Scott Hahn a caminho de Roma

É grande a lista de ilustres intelectuais protestantes que descobriram o caminho de Roma. Entre eles, estão Henry Newman, Robert Hugh Benson, Ronald Knox, Sigrid Undset, Thomas Merton, Julien Green, Malcolm Muggeridge, Chesterton. Veio engrossar a fila, há poucas décadas, o professor Scott Hahn, autor de vários livros, entre os quais Todos os caminhos levam a Roma, editado no Brasil pela editora Cléofas.

A obra é composta dos depoimentos entrecruzados de Scott e sua mulher Kimberly, jovem casal protestante dos EUA que, até em meados da década de oitenta, viviam tranquilamente a sua fé presbiteriana: os dois tinham mestrado em teologia presbiteriana, e ele, Scott — inteligente, culto, grande orador —, via abrir-se diante de si uma brilhante carreira universitária.

Scott queria especializar-se em Sagradas Escrituras. Como bom protestante, entendia que a Bíblia era a única e principal fonte da doutrina cristã. Pois foi levando a sério as passagens do Novo Testamento em que Jesus instituía a Eucaristia, que o pastor americano compreendeu que, no Pão consagrado, havia um milagre, havia um mistério: a presença real de Cristo. Compreendeu que a comunhão não era somente um ritual simbólico, uma partilha comunitária, mas uma verdadeira refeição divina, a mais completa de todas: Deus Filho oferecendo-se gratuitamente a pecadores arrependidos.

Entre o reconhecimento da Eucaristia e a conversão ao catolicismo, Scott Hahn palmilhou um caminho árduo e dramático, em que a percepção das verdades católicas ia lentamente sobrepondo-se ao assédio dos lugares-comuns do protestantismo contra a Igreja de Roma.

A luta não foi fácil. Foram sucessivos rounds de avanço e recuo, evidências e preconceitos; no entanto, como era homem honesto, sempre à procura da verdade, acabou cedendo ao que era imperativo: a Igreja Católica é a única religião verdadeira, fundada pelo próprio Cristo sobre a rocha petrina, na sucessão apostólica, na complementariedade das Sagradas Escrituras e da Tradição da Igreja.

Nesse ponto é que livro do casal fica interessante. Com a conversão entusiasmada de Scott, a esposa Kimberly entra em depressão, pois a última coisa que faria na vida era ligar-se a um “idólatra”. Percebia, então, que estava casada e tinha filhos com um católico. Como acreditava na indissolubilidade do casamento, restava-lhe aceitar aquela cruz, a mais pesada de todas, até que um dia a graça da conversão chegou e os seus olhos se abriram.

Lutero às avessas, Scott Hahn não foi mais um reformado que se converteu ao catolicismo, mas um teólogo presbiteriano que conhecia profundamente a Bíblia. Como biblista, revelou coisas importantes sobre a Missa em seu belo livro O banquete do Cordeiro, sobretudo a presença das Escrituras nas orações da Missa.