Madonna and Child with Saints and an Angel

A partir do século XI, sob a invocação de “Nossa Senhora”, a figura de Maria se impõe na Igreja do Ocidente. A mariologia, como disciplina teológica, enche de estudos acadêmicos as bibliotecas católicas.

Em 1854, o papa Pio IX proclama o dogma da Imaculada Concepção. Este, contrariamente ao que se diz, nada tem a ver com o nascimento de Jesus, mas afirma que a Virgem, por uma graça única, foi preservada do pecado original.

Mãe de Cristo, Virgem e Santa, Maria, por seu fiat, sinal  espontâneo de obediência a Deus, desempenha um papel na economia da salvação, pois é por ela que o Salvador veio e se fez homem.    Centenas de títulos e de dignidades lhe são atribuídos pelos Padres da Igreja, os textos litúrgicos, os documentos pontifícios ou a devoção popular: Templo de Deus e Porta do Céu, Arca que carregou Deus em si, Filha de Sião, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos céus, Rainha dos prodígios, Nova Eva, Mãe de Deus, Santa Mãe, etc.

Segundo a Igreja, Maria, mãe de Cristo, permaneceu virgem em razão da dignidade de sua missão e de  seu lugar ao lado de seu Filho na obra da Redenção. Como ela poderia ter outros filhos?

Os “irmãos de  Jesus”, referidos no Evangelho, na realidade são primos, parentes cujas mães não se confundem com Maria de Nazaré. Os primeiros cristãos, por conseqüência, não tinham dúvida de que Maria de Nazaré foi a mãe de Deus, e não duvidaram de sua virgindade.

Depois disso, a Igreja jamais deixou de afirmar que Maria era virgem antes e depois do nascimento de Cristo, pois esta mulher “muito santa e muito pura, tanto carnal como espiritualmente, só foi concebida por Deus para dar à luz um único filho: o seu”, observa Jean-Christian Petifils, falando como cristão.

Mas, falando como historiador, ele sublinha que não somente “a concepção virginal era pouco verossímil, tanto naquela época como hoje”, mas que, além disso, “não se encaixava no contexto cultural do Velho Testamento, onde a virgindade era vista de forma negativa”. E Petifils continua: “Mateus e Lucas, longe de ter inventado a ideia da concepção virginal, herdaram-na de narrativas anteriores, orais ou escritas”, o que prova a força desta versão dos fatos, “mais constrangedora do que benéfica, considerando-se o contexto judeu do momento” (Jean-Christian Petitfils, Jésus, Fayard, 2011).

A concepção virginal de Jesus é mito ou verdade histórica? Respondendo a essa questão, Joseph Ratzinger observou que o nascimento através de uma virgem e a ressurreição de Jesus são, ambos, “motivo de escândalo   para o espírito moderno, pois concede-se a Deus operar sobre idéias e pensamentos, na esfera espiritual, mas não na esfera material”.

Ora, acrescentou o papa teólogo, “se Deus não tem poder sobre a matéria, não é Deus”, observação que lhe permite concluir que “a concepção e o nascimento de Jesus pela Virgem Maria são um elemento fundamental da nossa fé” (Joseph Ratzinger, A infância de Jesus, São Paulo, Planeta, 2012).

https://www.jeansevillia.com/2018/12/22/qui-etait-vraiment-la-vierge-marie/