buon-pastore

Como a cerva que brama
pelas águas correntes, ressequida
de sede, a alma clama
por ser restituída
a Ti, meu Deus, e que me dês guarida.

Meu ser vive sedento
do Senhor, do vivente e poderoso.
Quando será o momento
em que terei o gozo
de ver-me ante teu rosto glorioso’?

Dia e noite chorando,
das lágrimas retiro meu sustento,
pois vivem pressionando,
sem que passe um momento:
“Mostra onde está teu Deus com fundamento.”

E em choro desatado,
derramo o coração com a memória
de meu viver passado
com tanto povo e glória,
cantando teu louvor em longa história.

Mas digo: “Por que tanto
te martirizas, minh’alma? Confia
em Deus, verás meu canto
cantar sonoro, um dia,
teu ser saudável e minha alegria.”

E desmesura o mal,
Deus meu, além do que já foi contado,
vendo-me no areal
de Hermón e deserdado
de Mísgaro, que a Ti vive apegado.

E assim cada tormenta
precede a outra, e com grande ruído
jatos d’água violenta
ouço a todo momento:
“Mostra onde está teu Deus com fundamento.”

Porque te encolhes tanto,
e te amarguras, minh’alma? Confia,
pois com devido canto
eu cantarei um dia:
“Meu Deus, meu renascer, minha alegria.”

(Tradução de Luiz Antônio de Figueiredo)