padre gemelli

O padre italiano Agostino Gemelli, OFM, que era médico psiquiatra (famoso também pelo julgamento desfavorável a respeito dos estigmas do Padre Pio), escreveu essas palavras interessantes sobre o sentido sobrenatural da educação católica, no prefácio ao livro Psicologia do caráter, do seu colega psiquiatra Rudolf Allers:

“Ninguém dá tão grande importância à questão da educação, como o católico. É natural. Para os católicos a educação só pode ser sobrenatural e, portanto, um assunto da Igreja. Esta educa, mesmo quando transfere aos pais (ou, por intermédio deles, ao Estado) aquela sua tarefa. É por isso que o problema da educação constitui o núcleo central da vida católica.

Todos conhecem, porém, os obstáculos que nós, educadores, encontramos, a cada passo, em nossa jornada de esforços educativos. Se um homem quer realizar um ideal, deve desenvolver em si mesmo uma personalidade e formá-la segundo esse ideal; se essa formação deve ser sobrenatural,  os obstáculos do mundo em que vivemos e aqueles — ainda mais difíceis de avaliar — da vida de nossas paixões, de nossos sentimentos e de nossas inclinações, se oporão à realização desse ideal.

O mundo exterior age no sentido de uma dispersão e uma divisão da unidade interior, pela influência das coisas apenas temporais e de finalidade limitada, que encobrem ao olhar os ideais eternos e mais elevados.

Paixões, inclinações, sentimentos são também obstáculos àquilo que é, ao mesmo tempo, a expressão e o mais belo fruto de nosso caráter — a Vontade. É um domínio extremamente obscuro, aquele em que empregamos — sem distinção precisa e, muitas vezes, de modo errado — palavras tais como: paixão, instinto, tendência, emoção, sentimento, etc.

Aquele que deve resolver questões educativas, e conhece toda a dificuldade do problema da educação, sabe que este é um domínio de investigação difícil e experiência dolorosa.” (Prefácio ao livro de Rudolf Allers. Psicologia do caráter. Rio, Agir, 1956)