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Li, um dia desses, um interessante artigo do escritor Rino Cammilleri, no jornal italiano Nuova Bussola Quotidiana, sobre os ledos enganos do pacifismo. Segundo a escritor italiano, não existem guerras pelo fato de haver vendedores de armas. Nem haveria necessidade de armas sofisticadas ou aviões F35 para que ocorressem carnificinas. E exemplifica com a guerra tribal de Rwanda (África), nos anos 90, em que houve um verdadeiro genocídio: facas e facões primitivos mataram quase um milhão de pessoas. Não são armas que matam, mas ideias — ideias organizadas de maneira “ideológica”, na contramão da realidade.

Rino Cammilleri lembra que os católicos somos pacíficos, mas não pacifistas.  Não é por acaso que a Igreja Católica é também romana, herdeira do Latim, língua que depois se tornaria sagrada, a qual tem um excelente ensinamento para essas coisas de guerra: “Si vis pacem para bellum”, diziam os antigos latinos. “Se você quer paz, prepare-se para a guerra”. O próprio Cristo disse, certa vez, que não tinha vindo para trazer paz, mas espada (Mateus 10, 34), sobretudo a espada da graça contra o pecado. Quando foi necessário defender a fé e a cristandade, os papas organizaram cruzadas contra muçulmanos e cátaros, armaram-se contra os turcos em Lepanto. O cristianismo nunca foi contra a pena de morte, quando o delito exigia punição proporcional.

As tão difamadas fogueiras da Inquisição nunca dizimaram populações inteiras, como fizeram, por exemplo, os comunistas na Ucrânia, há mais de noventa anos. Holodomor é o nome pelo qual ficou conhecido o holocausto praticado pelo comunismo soviético na Ucrânia, entre 1932 e 1933, a mando de Stalin, que usou a fome — desabastecimento de alimentos — como forma de punição aos camponeses nacionalistas resistentes às medidas de Moscou. Foram exterminados pela fome pelo menos 6 milhões de pessoas: impedidas pela polícia de migrar, não havia outra saída senão morrer de estômago vazio, silenciosamente. Nenhuma arma de fogo foi utilizada no genocídio ucraniano.

Também não se usam armas de fogo contra os bebês abortados, mas delicados instrumentos cirúrgicos. Que guerra convencional, com armas da mais avançada tecnologia, consegue superar os 50 milhões de seres humanos que são assassinados a cada ano, em todo o mundo, pela mentalidade abortista, produto da ideologia materialista?

Um argumento pacifista muito usado pelos adversários do porte generalizado de armas (“politicamente correto”, mas sociologicamente equivocado) é o do aumento de homicídios que provocaria, por conta de fatores afetivos (brigas domésticas, conflitos no trânsito, etc.). Lamentam-se previamente as pessoas honestas que matariam ou morreriam por estarem armadas em situações de descontrole emocional, esquecendo-se contudo do número gigantescamente maior de vidas que seriam poupadas (há estatísticas nos EUA que o comprovam) com os bandidos sabendo que a população já não estaria mais tão indefesa, como ocorre agora.

O ex-católico Umberto Eco, recorda Rino Cammilleri, dizia que o excesso de pregação pacifista amolece, desviriliza, torna a pessoa impotente “desde dentro”. Se você quer paz, prepare-se para a guerra. Começando, obviamente, pelo combate ao pecado. É o pecado e o mal, enraizados no coração das pessoas, que transformam a mão do homem na arma mais letal do mundo, a qual, na falta de revólver, vale-se indistintamente de pedras, porretes, facas, empurrões no alto da escada, venenos adicionados a alimentos etc. etc. etc.