passeata provida

Com a eleição de Trump nos EUA, e agora de Bolsonaro no Brasil, alguns temas ganharam força no ambiente político. São questões, sobretudo, de natureza moral: o problema do aborto, o casamento homossexual, a interferência exagerada do Estado na vida do cidadão, entre outros. São questões polêmicas. A maioria da população brasileira ainda é conservadora e opõe-se ao assassinato de filhos pelas próprias mães, não vê com bons olhos os casais formados por pessoas do mesmo sexo. E, se soubessem como o Estado, através das escolas públicas, estão educando sexualmente seus filhos, seguramente não aprovariam. Os intelectuais, contudo, tanto na mídia e na universidade, são quase unanimemente favoráveis ao aborto, ao casamento gay e a tutela estatal do indivíduo. Lamentavelmente, estão divorciados do próprio povo, que continua cristão. Alegam que o Estado é laico (neutro), esquecidos de que a máquina estatal só existe em função das pessoas.

Nos últimos cinquenta anos, tem se falado muito de ecumenismo, sobretudo no meio católico, visando restaurar-se a unidade perdida dos cristãos, separados com a “reforma” protestante. No entanto, o desejo de aparar as diferenças teológicas e celebrar cultos ecumênicos em comum não deu, na prática, os resultados que se esperavam: os protestantes continuam praticando o “livre exame” e os católicos (ao menos teoricamente) obedientes ao magistério universal da Igreja.

Nos EUA, porém, surgiu um ecumenismo diferente: são alianças feitas entre protestantes, ortodoxos orientais e católicos tendo em vista valores essenciais, como a defesa da vida desde a concepção até a morte natural. Lá, não é raro que se aliem em passeatas “pró-vida”, lutando pela mesma causa comum, pessoas das mais variadas tendências religiosas, unidas pelo mesmo repúdio ao vergonhoso holocausto do aborto (que assassina, no útero materno, em torno de 50 milhões de seres humanos por ano, em todo o mundo).

Protestantes e católicos conservadores também se aliam, nos EUA, quando se trata da educação dos filhos. A educação domiciliar (ou “homeschooling”) cresceu muito por lá, a partir dos anos setenta, quando se verificou que a permanência diária dos filhos em escolas públicas (ou mesmo privadas) trazia menos benefícios do que problemas, provocados principalmente pela diferença entre o que era ensinado pelos professores e o que os pais realmente gostariam que seus filhos aprendessem, sobretudo em questões morais, sem esquecer o problema das drogas e a falta de segurança. A solução, para as famílias em condições de praticá-la, foi a educação domiciliar.

Nos EUA, o “homeschooling” tem amplo respaldo jurídico e foi legalizado em todo o país, com as inevitáveis diferenças por estado. No Brasil, os governos estatizantes do PSDB e PT sempre se opuseram à educação domiciliar. Parece que agora, com Bolsonaro na presidência, o sinal verde foi aceso para os já praticantes do “homeschooling” no Brasil (são cerca de 2.500 famílias). Esse é o ecumenismo que dá certo: juntar católicos e protestantes a partir do mesmo denominador comum (defesa da família cristã e dos limites do Estado em relação ao indivíduo).

Algumas vezes, tal aliança em nome de algo comum pode levar ao martírio, quando esse “algo comum” é o próprio Deus. É o que acontece com cristãos de várias denominações, no Oriente, que conhecem uma forma estranha de ecumenismo, absolutamente não desejável. É o “ecumenismo de sangue”, em que protestantes e católicos perdem a vida nas mãos do mesmo inimigo comum, os terroristas islâmicos. São mortos pela mesma causa: o fato de professarem a divindade de Jesus Cristo.