A partir do momento em que a revolução é anticristã, o esquerdismo faz parte da lógica da guerra religiosa, das forças ocultas que fizeram a revolução, e que continuam até hoje, já que ainda não acabou. De fato, é uma guerra contra Cristo, mas também contra Deus. Não estou inventando nada: os intelectuais de esquerda já deixaram tudo bem claro. Eles acusaram o Ocidente cristão de ser a civilização do Pai, um termo que no fundo designa Deus.

É nesse sentido que o esquerdismo é uma consequência do Renascimento, quando o ser humano — ou, para ser mais preciso, o Iniciado — toma o lugar de Deus. Como todos os movimentos revolucionários, o esquerdismo quer destruir a antiga humanidade, isto é, a humanidade criada por Deus. Esse combate é a fonte religiosa da teoria do gênero, segundo a qual Deus criou o homem bissexual, devendo a “nova” humanidade se tornar andrógina, como na mitologia hermética e no simbolismo maçônico.

Depois da “morte de Deus”, há o ódio contra o Pai e a culpabilização do homem ocidental…

O esquerdismo é uma continuação da filosofia que negou a Deus, mas vai além porque torna Deus culpado do Mal. É nisso que ele retoma o esoterismo da gnose e da teosofia. O esquerdismo, portanto, tem raízes ocultas e acrescenta ao ódio para com Deus, o ódio ao Pai ao qual Deus foi reduzido. A acusação não tem nenhum fundamento teológico, mas possui uma utilidade imensa: denunciar o Masculino e promover em seu lugar o Feminino. Naturalmente, não se trata de defender a mulher, mas de usá-la para destruir a civilização, segundo o princípio leninista: “Quem controla a mulher, controla a sociedade”.

As principais imposturas culturais do esquerdismo

Para nos tornar culpados e nos destruir, o esquerdismo impôs várias doutrinas que são imposturas, porque não têm fundamento histórico ou científico. Eles são todos mentirosos, pelas falsificações operadas sobre os fatos. É o caso do pseudo-anti-racismo, do terceiro-mundismo, do feminismo, mas também da ecologia. Não posso aqui repetir os argumentos que dei no meu livro [Alain Pascal, Maio de 68 e a destruição da França, Paris, Editions des Cimes, 2018], mas apenas insistir nas consequências práticas. Por exemplo, já nos anos 50, Marcuse havia identificado os imigrantes como revolucionários natos, que tomariam o lugar dos trabalhadores ocidentais aburguesados. Com os proletários desviados da revolução pelo que ele chama de trabalho alienado, era necessário que o Ocidente fosse invadido por massas do Terceiro Mundo. Este programa parece-me ser bem atual.

Ecologia e conservadorismo

Uma palavra também sobre ecologia, que na verdade deveria ser uma defesa da ordem natural criada por Deus, mas que não o é de forma alguma, uma vez que é uma ideologia de extrema esquerda, portanto anti-cristã. Para prová-lo, basta dizer que é sustentada por um culto da natureza considerada como divindade cósmica. E isso não fica só no plano teórico. As crianças são alistadas neste culto pelo que se chama, em psicologia, de “atos de compromisso” (plantar uma árvore, limpar a deusa natureza, etc.), ao mesmo tempo que lhes ensinamos que agora eles possuem uma identidade de gênero — e tudo isso é parte do ataque ao Masculino ocidental.

[Alain Pascal é um ensaísta francês, nascido em 1948, com vários livros publicados, em especial sobre a relação da filosofia moderna com seitas esotéricas]

Le gauchisme a des racines occultes et il ajoute à la haine de Dieu, celle du Père auquel il le réduit