Escrevo porque gosto de falar
Com mortos, coração a coração,
E com aqueles que ainda nascerão
Mas cujo espírito pressinto no ar.

O que é o tempo presente? Não se escreve
Para ser lido aqui, neste momento.
O agora é mais efêmero que a neve
E os livros passam como passa o vento.

Escrever é juntar as permanentes
Coisas que, pelo tempo, estão dispersas
— O belo, o amor ao próximo, a verdade —

Jogando-as pelo chão como sementes.
São murmúrios inúteis? Vãs conversas?
São espelhos fiéis da eternidade.