Há um lugar comum, um refrão terceiro-mundista que domina uma fatia substancial do mundo católico politizado: na África há pobres porque somos ricos… E que se mistura a outro lugar-comum: na África há guerras porque vendemos armas. Muitas vezes, já explicamos como essa afirmação é uma loucura colossal, o costumeiro esquema ideológico que contradiz a realidade dos fatos.

Admitindo-se que o período colonialista tenha sido apenas uma história de roubo de recursos naturais, ao longo dos últimos 50 anos mais de mil bilhões de dólares foram jogados em países africanos para a luta contra a pobreza. Mil bilhões de dólares. Em comparação, o famoso “Plano Marshall”, que os americanos promoveram para reanimar a Europa após a Segunda Guerra Mundial, consistiu em um investimento de 14 bilhões de dólares, ao longo de 4 anos. A Europa com 14 bilhões levantou-se rapidamente; já a África, com 1000 bilhões, não consegue sair do subdesenvolvimento. Será que um determinado segmento católico não é capaz de fazer perguntas sérias sobre a realidade da África e, mais genericamente, sobre os países em desenvolvimento?

E sobre o comércio de armas: nestes dias, lembrou-se do 25º aniversário do genocídio cometido em Ruanda, um dos eventos mais sangrentos já registrados na África. Bem, em pouco mais de três meses, entre 800.000 e um milhão de pessoas foram mortas, e todas com facas e facões de uso cotidiano. Nenhuma arma foi vendida pelo Ocidente.

Ninguém pode negar que, entre os muitos fatores que contribuem para a pobreza na África e suas guerras, também haja responsabilidades deste ou daquele país ocidental, mas é, na verdade, um fator entre muitos e certamente não o mais importante.

As razões da pobreza na África são diversas, mas na maioria das vezes elas têm a ver com causas internas – tribalismo, corrupção, algumas concepções religiosas – e certamente não traz benefício nenhum aos pobres de lá a Europa ficar alimentando esse sentimento de culpa. Aliás, é exatamente o oposto, porque nos leva a perseverar em políticas de bem-estar que já se mostraram ineficazes.

Ouvir bispos e padres, em vez disso, perpetuar a abordagem ideológica (são pobres porque somos ricos) é realmente lamentável. Além do mais, impele os fiéis e a opinião pública a apoiar políticas suicidas, como a imigração sem limites.

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