Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Terceira aparição do Ressuscitado aos discípulos”, clicar AQUI. O Evangelho deste domingo nos narra o episódio da segunda pesca milagrosa, quando Jesus Ressuscitado precede os Apóstolos na Galileia, aparecendo de novo a eles e renovando-lhes a fé, exatamente no lugar em que eles foram chamados pela primeira vez ao serviço de Nosso Senhor. Nesta meditação, Padre Paulo Ricardo comenta essa passagem conclusiva do Evangelho de São João e mostra-nos como podemos crescer, com a ajuda da graça de Deus, nas virtudes da fé e da caridade, assim como os primeiros discípulos.

 

FOGO DE AMOR (Meditação de Scott Hahn sobre a conversão de Pedro)

Há dois lugares, nas Escrituras, onde o detalhe curioso das “brasas acesas” é mencionado. O primeiro é no Evangelho de hoje, quando os Apóstolos retornam da pesca para encontrar o pão e o peixe aquecendo ao fogo.

O segundo é a cena no pátio do Sumo Sacerdote, na Quinta-feira Santa, quando Pedro, junto de alguns guardas e escravos, se aquecem, enquanto Jesus é interrogado lá dentro (João 18,18).

Diante do primeiro braseiro, Pedro negou conhecer Jesus por três vezes, como Jesus havia predito (João 13,38; 18, 15-18, 25-27).

A brasa acesa de hoje é cenário do arrependimento de Pedro, pois três vezes Jesus lhe pede para fazer uma profissão de amor. O tríplice mandato de Jesus, “apascenta as minhas ovelhas”, revela que Pedro foi indicado como o pastor de todo o rebanho do Senhor, a cabeça de Sua Igreja (Lucas 22, 32).

A pergunta de Jesus, “Tu me amas mais do que estes?” é um lembrete do compromisso de Pedro de entregar sua vida por Jesus, mesmo que os outros apóstolos enfraqueçam (João 13, 37; Mateus 26, 33; Lucas 22, 33).

Jesus então explica o que o amor e a liderança de Pedro exigirão, predizendo a sua morte por crucificação (“estenderás as mãos”).

Antes de sua própria morte, Jesus havia alertado os apóstolos de que seriam odiados como Ele foi odiado, e que sofreriam como Ele sofreu (Mateus 10, 16-19, 22; João 15, 18-20; 16, 2).

Vemos o começo dessa perseguição na primeira leitura de hoje. Açoitados como Jesus, os apóstolos, no entanto, “saíram do Conselho muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus.”

Sua alegria é baseada na fé de que Deus transformará o “seu pranto em uma festa”, como cantamos no Salmo de hoje. Por seus sofrimentos, eles bem o sabem, serão considerados dignos de permanecer, no Céu, diante do “Cordeiro que foi imolado”, uma cena vislumbrada na Segunda Leitura de hoje (ver também Apocalipse 6, 9-11).

https://stpaulcenter.com/fire-of-love-scott-hahn-reflects-on-the-third-sunday-of-easter/

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos apóstolos 5,27b-32.40b-41)

Sofrer por Jesus

Naqueles dias, os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao Sinédrio. O sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo: “Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!” Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”. Então mandaram açoitar os apóstolos e proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. Os apóstolos saíram do Conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus.

 

SALMO 29

O pranto se transformou em festa

(Antífona): Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes.

— Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,/ e não deixastes rir de mim meus inimigos!/ Vós tirastes minha alma dos abismos/ e me salvastes, quando estava já morrendo!

— Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,/ dai-lhe graças e invocai seu santo nome!/ Pois sua ira dura apenas um momento,/ mas sua bondade permanece a vida inteira;/ se à tarde vem o pranto visitar-nos,/ de manhã vem saudar-nos a alegria.

— Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!/ Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!/ Transformastes o meu pranto em uma festa,/ Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Apcalipse 5, 11-14)

Tudo pelo Cordeiro imolado

Eu, João, vi e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos Seres vivos e dos Anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões, e proclamavam em alta voz: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória, e o louvor”. Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre”. Os quatro Seres vivos respondiam: “Amém”, e os Anciãos se prostraram em adoração daquele que vive para sempre.

 

EVANGELHO (São João 21, 1-19)

O preço da conversão de Pedro

Naquele tempo, Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”.

Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”.

Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão.Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”.

Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu.

Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe.

Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?”

Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?”

Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”. Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.