A relação entre poder político e poder espiritual deriva estritamente da origem da própria autoridade política. A Igreja sempre ensinou que a autoridade (política) vem de Deus; e afirma: “Não há poder senão de Deus” (Rom. 13, 1-4). O próprio Jesus Cristo o proclamou, dizendo a Pilatos: “Não terias poder sobre mim se não te fosse dado de cima” (João 19-11). Leão XIII ensinou o mesmo princípio: “Deus é a fonte do poder humano” (Encíclica Diuturnum illud, 1881, sobre a autoridade política).

Este princípio não significa que Deus designa as pessoas que devem governar. A indicação de “quem” deve governar ocorre de muitas maneiras (hoje, também através da via democrática). Nem Renzi nem Conte foram indicados por Deus para liderar o governo italiano. Mas uma coisa é indicar “quem” deve governar e outra coisa é legitimá-lo moralmente, isto é, dar o fundamento do “por que” é correto que esse ou aquele governem. A descendência em linha direta ou o voto democrático indicam quem governa, mas eu não sou capaz de legitimá-lo, nem de estabelecer que seja justo que ele governe, que seja bom que ele governe.

Ora, a única razão pela qual um homem pode comandar outro homem é que ele o faça para o próprio bem do comandado. O único motivo legitimante do poder é, portanto, o bem comum ao qual ele deve servir. Mas o bem comum continua sem fundamento sem o Supremo Bem. Deus é a Garantia do Bem e, portanto, de todo poder do homem sobre o homem que pretenda ser moralmente legítimo, isto é, que não é apenas poder, mas também autoridade.

Poder-se-ia também pensar o contrário. Se não for em Deus, em que mais poderia basear-se o poder do homem sobre outro homem? Sobre o voto da maioria é que não pode ser, porque se trataria de uma mera força numérica; na decisão de alguma assembléia ou parlamento também não, porque seria só uma posição partidária; e nem mesmo nos deveres e direitos do homem, porque, sem Deus, eles não teriam o fundamento último e absoluto, sendo portanto manipuláveis. Sem Deus não há ordem, não há o bem nem o mal, nem a justiça, e o poder político seria relegado à força bruta. Seria apenas uma questão de músculos.

https://www.vanthuanobservatory.org/ita/potere-politico-e-potere-spirituale-2/