Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A Paixão de Cristo segundo São Lucas”, clicar AQUI. Nesta homilia para o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, ouça os comentários do Padre Paulo Ricardo ao sacrifício redentor de Cristo na Cruz e descubra alguns belíssimos detalhes que só o Evangelho de São Lucas revela sobre a sua Paixão.

PAIXÃO DE CRISTO (Meditação de Scott Hahn)

“O que está escrito a respeito de Mim, está chegando ao seu cumprimento”, diz Jesus no Evangelho de hoje (Lucas 22,37).

De fato, alcançamos o clímax do ano litúrgico, o mais alto cume da história da salvação, quando tudo o que foi anunciado e prometido deve realizar-se.

No final do longo Evangelho de hoje, a obra da nossa redenção terá sido cumprida, e a nova aliança escrita com o sangue do Seu corpo humilhado, pendido de uma cruz num lugar chamado Caveira.

Em sua Paixão, Jesus foi “contado entre os iníquos”, como Isaías profetizou (Isaías 53,12). Ele é revelado, definitivamente, como o Servo Sofredor anunciado pelo profeta, o tão esperado Messias, cujas palavras de obediência e fé ressoam na primeira leitura e no Salmo de hoje.

Os insultos e tormentos que ouvimos nestas duas leituras pontuam o Evangelho, enquanto Jesus é espancado e escarnecido (Lucas 22, 63–65; 23, 10–11, 16); enquanto Suas mãos e pés são perfurados (Lucas 23,33 ); enquanto os inimigos disputam Suas roupas (Lucas 23, 34); e enquanto, por três vezes, eles O desafiam a provar Sua divindade, salvando-se a Si mesmo do sofrimento (Lucas 23, 35, 37, 39).

Jesus permanece fiel à vontade de Deus até o fim, não abdicando de Sua provação. Entrega-Se livremente aos seus torturadores, com a confiança que aparece na primeira leitura de hoje: “O Senhor Deus é meu socorro… Não serei envergonhado.”

Destinados ao pecado e à morte, como filhos da desobediência de Adão, nós fomos libertos para a santidade e a Vida pela perfeita obediência de Cristo à vontade do Pai (Romanos 5, 12-14, 17-19; Efésios 2, 2; 5, 6) .

É por isso que Deus o exaltou grandemente. É por isso que temos a salvação em Seu nome. Seguindo Seu exemplo de humilde obediência, nas provações e cruzes de nossas vidas, sabemos que nunca seremos abandonados; que um dia também estaremos com Ele no Paraíso (Lucas 23, 42). É ver e acreditar.

https://stpaulcenter.com/passion-of-the-christ-scott-hahn-reflects-on-passion-sunday/

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 50, 4-7)

Fiel até o fim à vontade de Deus

O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

 

SALMO 21

A perfeita obediência do Servo Sofredor

(Antífona): Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

— Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: ‘Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!’.

— Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado.Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!

—Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica.Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!

— Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o toda a raça de Israel!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Filipenses 2, 6-11)

A auto-humilhação do Deus encarnado

Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame : ‘Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai.

 

EVANGELHO (São Lucas 23, 1-49)

Paixão e morte de Cristo

Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de Pilatos, e puseram-se a acusá-lo: “Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei.”

Pilatos perguntou-lhe: “És tu o rei dos judeus?” Jesus respondeu: “Sim.”

Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: “Eu não acho neste homem culpa alguma.”

Mas eles insistiam fortemente: “Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.”

A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu. E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém.

Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele. Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu. Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-o com violência. Herodes, com a sua guarda, tratou-o com desprezo, escarneceu dele, mandou revesti-lo de uma túnica branca e reenviou-o a Pilatos. Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro.

Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes: “Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte. Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar.”

Acontecia que em cada festa ele era obrigado a soltar-lhes um preso. Todo o povo gritou a uma voz: “À morte com este, e solta-nos Barrabás.” (Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio.)

Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo, mas eles vociferavam: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio: “Mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte; irei, portanto, castigá-lo e, depois, o soltarei.”

Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse crucificado, e os seus clamores recrudesciam. Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo. Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles.

Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus. Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: “Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!’ Então dirão aos montes: ‘Caí sobre nós!’ E aos outeiros: ‘Cobri-nos!’ Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?”

Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus. Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda.  E Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.”

Eles dividiram as suas vestes e as sortearam. A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: “Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!” Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:  “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.”

Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: “Este é o rei dos judeus.” Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!” Mas o outro o repreendeu: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.” E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!” Jesus respondeu-lhe: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.”

Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio. Jesus deu então um grande brado e disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” E, dizendo isso, expirou.

Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: “Na verdade, este homem era um justo.” E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo, e viam o que se passava, voltou batendo no peito.

Os amigos de Jesus, como também as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas.