Eis que meu Servo prosperará, crescerá, elevar-se-á, será exaltado.
Assim como, à sua vista, muitos ficaram embaraçados
– tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana -,
assim o admirarão muitos povos:
os reis permanecerão mudos diante dele,
porque verão o que nunca lhes tinha sido contado,
e observarão um prodígio inaudito.
Quem poderia acreditar nisso que ouvimos?
A quem foi revelado o braço do Senhor?
Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida;
não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares,
e seu aspecto não podia seduzir-nos.
Era desprezado, era a escória da humanidade,
homem das dores, experimentado nos sofrimentos;
como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto,
era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.
Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades,
e carregou os nossos sofrimentos:
e nós o reputávamos como um castigado,
ferido por Deus e humilhado.
Mas ele foi castigado por nossos crimes,
e esmagado por nossas iniqüidades;
o castigo que nos salva pesou sobre ele;
fomos curados graças às suas chagas.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas,
seguíamos cada qual nosso caminho;
o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós.
Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca,
como um cordeiro que se conduz ao matadouro,
e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador.
(Ele não abriu a boca.)
Por um iníquo julgamento foi arrebatado.
Quem pensou em defender sua causa,
quando foi suprimido da terra dos vivos,
morto pelo pecado de meu povo?
Foi-lhe dada sepultura ao lado de fascínoras
e ao morrer achava-se entre malfeitores,
se bem que não haja cometido injustiça alguma,
e em sua boca nunca tenha havido mentira.
Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento;
se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório,
terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias,
e a vontade do Senhor será por ele realizada.
Após suportar em sua pessoa os tormentos,
alegrar-se-á de conhecê-lo até o enlevo.
O Justo, meu Servo, justificará muitos homens,
e tomará sobre si suas iniqüidades.
Eis por que lhe darei parte com os grandes,
e ele dividirá a presa com os poderosos:
porque ele próprio deu sua vida,
e deixou-se colocar entre os criminosos,
tomando sobre si os pecados de muitos homens,
e intercedendo pelos culpados.

(Isaías, final do cap. 52 e início do 53)