Padre Donizetti, pároco de Tambaú

Convivi, pessoalmente, com o Padre Donizetti, dos meus sete aos 17 anos. Um convívio diário, com a graça de Deus. Como coroinha disciplinado e como secretário mais ainda.

Ou seja: pelas bênçãos do Padre Donizetti, deixei-me picar pela mosca do jornalismo. Até hoje, em plena atividade multimídia, no Brasil e no Exterior. O detalhe: justamente o Padre Donizetti foi quem me empurrou para o jornalismo, em São Paulo. Primeiro, ordenando-se estudar Sociologia na USP. Segundo, dando-me carta de apresentação “a quem interessar possa”. Foi com ela, em 1956, que abri as portas do “Diário de São Paulo” e, em 1957, da “Rádio 9 de Julho”, emissora oficial da Arquidiocese de São Paulo.

Predestinado, foi na “Rádio 9 de Julho” que conheci minha Lucila. Estamos casados e felizes há 48 anos, hoje, no rodapé de dois filhos, duas noras e quatro netos maravilhosos.

Quer dizer: eu saí do Padre Donizetti, mas o Padre Donizetti nunca saiu de mim.

Imaginem minha comoção ao estar presente no dia de sua recente exumação. Chorei e rezei por ele durante dias. Assim como comovido passei todo este último dia 31 de maio. Sim, o do 56º aniversário de sua última bênção. Um fenômeno espantoso: mais de 130 mil romeiros na Tambaú de 13 mil habitantes. Num único dia, 10 romeiros para cada tambauense.

A cidade virou, naquele domingo azul de maio, um caldeirão humano, documentado por toda a imprensa da época. Trabalhei 24 horas por dia no sábado e na segunda. Sobrevoei a cidade e seu entorno, com milhares de ônibus e de caminhões de romeiros estacionados em sítios, chácaras e fazendas. A cidade ficou fechada para veículos em geral. Só era permitido o ingresso de ambulâncias, que mal podiam trafegar no meio da multidão.

No dia seguinte, 1º de junho de 1955, Tambaú amanheceu completamente vazia. Para todos nós, da cidade, foi um choque: o choque do silêncio…

(Depoimento de Joelmir Beting sobre Pe. Donizetti para a revista dos 50º anos de morte do Padre Donizetti.)