Há cinquenta anos, Papa Paulo VI aprovava o novo Missal Romano, com as revisões litúrgicas que todos conhecemos: celebração em língua vernácula, padre voltado para a assembleia e várias modificações no texto. Talvez seja um bom momento para saber um pouco mais sobre a Missa antiga.

O documentário acima, Mysterium fidei, o Santo Sacrifício da Missa, da produtora Agnus Dei, é um trabalho muito bom sobre a Missa antiga e suas inesgotáveis riquezas espirituais. É narrado pelo Padre Juan Manuel Rodríguez, sacerdote diocesano de Madri.

Quando Papa Bento XVI permitiu a volta da Missa antiga, em latim (também conhecida por Missa Tridentina), em sua carta apostólica “Summorum Pontificum”, de 2007, fiéis de todo o mundo católico se apressaram em suas dioceses a procurar quem a celebrasse: ainda havia quem devotasse grande estima àquela forma litúrgica de grande poder espiritual (e que tanta influência exerceu sobre a cultura do Ocidente).

Já são várias as cidades, no Brasil e no mundo, que atualmente esse serviço religioso. O lamentável é que poucas são as igrejas que ainda contam com a estrutura física adequada à celebração da Missa antiga, como o velho altar ao fundo, diante do qual se posicionava o celebrante, e a mesa da Eucaristia, onde os fiéis se ajoelhavam para receber a comunhão na boca. Algumas ainda guardam, também, as peças que no passado eram utilizadas na celebração, como a patena da comunhão, as Sacras (pequenos quadros com as palavras das orações, colocado sobre o altar para auxiliar o celebrante), o Missal latino, os castiçais, o grande crucifixo.

Com a velha Missa, voltam também certa práticas que caíram em desuso, como atendimento de confissões antes da celebração. Muitas celebrações passaram a contar, também, com a presença de corais, apresentando os cantos próprios da Missa em sua forma gregoriana. Para facilitar as orações dos fiéis, livretos bilíngües são emprestados aos fiéis, contendo os textos em latim e português.

Os grupos responsáveis pela volta da Missa Tridentina procuram, em geral, ressaltar que o propósito das celebrações, no rito antigo, não é o de provocar polêmicas contra o Concílio Vaticano II e a Missa de Paulo VI. Papa Bento XVI, na já mencionada carta apostólica “Summorum Pontificum”, depois de dizer que esse modo de celebração (a Missa tridentina) “deve gozar da devida honra pelo seu uso venerável e antigo”, destaca também que as duas formas litúrgicas são, ambas, expressões da «lex orandi» católica. Não devem levar a uma divisão na «lex credendi» («norma de fé») da Igreja, pois representam dois usos do “único” rito romano.