Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Meu filho estava morto e tornou a viver”, clicar AQUI. O Evangelho deste domingo conta-nos a célebre história de um rapaz que “estava morto e tornou a viver”: o Filho Pródigo. Com essa parábola, Nosso Senhor quer nos lembrar que somos muito mais do que pensamos ser: podemos até nos iludir com sonhos de “independência” e desbaratar nossos bens “numa vida desenfreada”, mas somos filhos do Rei! Assista a esta meditação do Padre Paulo Ricardo e conheça a dinâmica da conversão pela qual todos temos de passar.

 

OS QUE NASCERAM DE NOVO (Meditação de Scott Hahn)

Na primeira leitura de hoje, Deus perdoa “o opróbrio” das gerações que murmuraram contra ele após o Êxodo. No limiar da terra prometida, Israel pode celebrar a Páscoa, a festa do primogênito de Deus, com um coração limpo (Josué 5, 6-7; Êxodo 4, 22; 12, 12-13).

A reconciliação também está no coração da história que Jesus conta no evangelho de hoje. A história do filho pródigo é a história de Israel e de toda a raça humana, mas é, também, a história de todo aquele que crê.

No Batismo, nos é dado um divino direito de nascer novamente, numa “nova criação”, como São Paulo coloca na epístola de hoje. Quando pecamos, porém, nos assemelhamos ao filho pródigo da parábola, abandonando a casa do pai, esbanjando nossa herança na tentativa de viver sem ele.

Perdidos no pecado, nos separamos da graça da filiação divina que, no Batismo, nos foi generosamente concedida. Contudo, ainda é possível voltarmos a nós mesmos, retornando ao Pai, como faz o pródigo.

Mas somente Ele pode remover o opróbrio e restaurar a filiação divina que desprezamos. Somente Ele pode nos libertar da escravidão do pecado que nos faz — como o filho pródigo — ver a Deus não como nosso Pai, mas como nosso patrão, a quem servimos como escravos.

Deus não quer escravos, mas filhos. Como o pai, no Evangelho de hoje, Ele deseja ardentemente chamar cada um de nós de filho, para conosco compartilhar a Sua vida, dizendo a cada um de nós: “Tudo o que tenho é teu”.

As palavras de saudade e compaixão do Pai ainda chegam aos Seus filhos pródigos, através do Sacramento da Penitência. Tudo isto é parte do que São Paulo, na epístola de hoje, chama de “ministério da reconciliação”, confiado por Jesus aos Apóstolos e à Igreja.

Reconciliados como Israel, na primeira leitura, assumimos o nosso lugar à mesa da Eucaristia, o banquete de boas-vindas ao qual o Pai chama os Seus filhos perdidos — a nova Páscoa que celebramos neste lado de cá do paraíso. Experimentamos a bondade do Senhor, como cantamos no Salmo de hoje, regozijando-nos por descobrir que nós, que estávamos mortos, novamente estamos vivos.

https://stpaulcenter.com/found-alive-again-scott-hahn-reflects-on-the-fourth-sunday-of-lent/

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Josué 5, 9a.10-12)

A reconciliação com o Pai

Naqueles dias, ao Senhor disse a Josué: “Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito”.

Os israelitas ficaram acampados em Guilgal e celebraram a Páscoa no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó. No dia seguinte à Páscoa, comeram dos produtos da terra, pães sem fermento e grãos tostados nesse mesmo dia.

O maná cessou de cair no dia seguinte, quando comeram dos produtos da terra. Os israelitas não mais tiveram o maná. Naquele ano comeram dos frutos da terra de Canaã.

 

SALMO 33

Experimentando o gosto da reconciliação

(Antífona): Provai e vede quão suave é o Senhor!

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ que ouçam os humildes e se alegrem!

— Comigo engrandecei ao Senhor Deus,/ exaltemos todos juntos o seu nome! / Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,/ e de todos os temores me livrou.

— Contemplai a sua face e alegrai-vos,/ e vosso rosto não se cubra de vergonha!/ Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,/ e o Senhor o libertou de toda angústia.

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (2Coríntios  5, 17-21)

A reconciliação através da Igreja

Irmãos: Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo. E tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação.

Com efeito, em Cristo, Deus reconciliou o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas e colocando em nós a palavra da reconciliação. Somos, pois, embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus.

 

EVANGELHO (São Lucas 15, 1-3.11-32)

Renascido pela humildade

Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Então Jesus contou-lhes esta parábola:

“Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles.

Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade.

Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.

Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’.

Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos.

O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.

Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa.

O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo.

O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’.

Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca medeste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’.

Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’”.