Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Transfigurados pelo Espírito Santo”, clicar AQUI. Por que em toda Quaresma a Igreja proclama o evangelho da Transfiguração, senão para que sejamos capazes de reconhecer na cruz de Cristo, da Sexta-Feira Santa, a expressão do amor inigualável de Deus por toda a humanidade? Em mais esta meditação quaresmal, Padre Paulo Ricardo nos mostra como é o Espírito Santo, da nuvem, que vai tirar as vendas de nossos olhos e preparar-nos para o “êxodo” por que todos temos de passar, seguindo os passos de Nosso Senhor.

  

A VISÃO DA GLÓRIA (Meditação de Scott Hahn)

No evangelho de hoje, subimos a montanha com Pedro, João e Tiago. Lá vemos Jesus “transfigurado”, falando com Moisés e Elias sobre Seu “êxodo”.

A palavra grega “êxodo” significa “partida”. Mas a palavra é escolhida deliberadamente para despertar nossa lembrança da fuga dos israelitas do Egito.

Por Sua morte e ressurreição, Jesus liderará um novo Êxodo – libertando não apenas Israel, mas todas as raças e pessoas; não da servidão ao faraó, mas da escravidão do pecado e da morte. Ele guiará toda a humanidade, não para o território prometido a Abraão na Primeira Leitura de hoje, mas à  comunidade celeste que Paulo descreve na epístola de hoje.

Moisés, o doador da lei de Deus, e o grande profeta Elias, foram as únicas figuras do Antigo Testamento a ouvir a voz e ver a glória de Deus no topo de uma montanha (Êxodo 24, 15–18; 1 Reis 19, 8–18).

A cena de hoje assemelha-se muito à revelação de Deus a Moisés, que também levou consigo três companheiros e cujo rosto também se acendeu de forma esplendente (Êxodo 24, 1; 34, 29). Mas quando a nuvem divina se afasta no evangelho de hoje, Moisés e Elias se vão. Apenas Jesus permanece. Ele revelou a glória da Trindade: a voz do Pai, o Filho glorificado e o Espírito na nuvem brilhante.

Jesus cumpre tudo o que Moisés e os profetas vieram para ensinar e nos mostrar sobre Deus (Lucas 24, 27). Ele é o Eleito prometido por Isaías (Isaías 42, 1; Lucas 23, 35), o “profeta semelhante a mim” que Moisés havia prometido (Deuteronômio 18, 15; Atos 3, 22–23; 7, 37). Muito acima disso tudo, Ele é o Filho de Deus (Salmos 2, 7; Lucas 3, 21-23).

“Ouça-o”, a voz nos fala da nuvem. Se, como Abraão, colocamos nossa fé em Suas palavras, um dia também seremos conduzidos à  “terra dos viventes” que cantamos no Salmo de hoje. Participaremos de Sua ressurreição, como Paulo promete, quando nossos corpos humildes serão glorificados como o Seu.

https://stpaulcenter.com/the-glory-in-sight-scott-hahn-reflects-on-the-second-sunday-of-lent/

 

 PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Gênesis 15, 5-12.17-18)

A terra prometida da velha aliança

Naqueles dias, o Senhor conduziu Abrão para fora e disse-lhe: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!” E acrescentou: “Assim será a tua descendência”.

Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso como justiça. E lhe disse: “Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar em possessão esta terra”.

Abrão lhe perguntou: “Senhor Deus, como poderei saber que vou possuí-la?” E o Senhor lhe disse: “Traze-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, além de uma rola e de uma pombinha”. Abrão trouxe tudo e dividiu os animais pelo meio, mas não as aves, colocando as respectivas partes uma frente à outra.

Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotou. Quando o sol já se ia pondo, caiu um sono profundo sobre Abrão e ele foi tomado de grande e misterioso terror.

Quando o sol se pôs e escureceu, apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo, que passaram por entre os animais divididos.

Naquele dia, o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo: “Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates”.

 

SALMO 26

A caminho da terra dos viventes  

(Antífona): O Senhor é minha luz e salvação.

— O Senhor é minha luz e salvação;/ de quem eu terei medo?/ O Senhor é a proteção da minha vida;/ perante quem eu tremerei?

— Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,/ atendei por compaixão!/ Meu coração fala convosco confiante,/ é vossa face que eu procuro.

— Não afasteis em vossa ira o vosso servo,/ sois vós o meu auxílio!/ Não me esqueçais nem me deixeis abandonado,/ meu Deus e Salvador!

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver/ na terra dos viventes./ Espera no Senhor e tem coragem,/ espera no Senhor!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Filipenses 3, 17-4,1)

Os cidadãos do céu

Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que vivem de acordo com o exemplo que nós damos. Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago, a glória deles está no que é vergonhoso e só pensam nas coisas terrenas. Nós, porém, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas. Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor.

 

EVANGELHO (São Lucas 9, 28b-36)

A terra prometida do Céu

Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém.

Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. E, quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom  estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo.

Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem. Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”

Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.