Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Penitência e corações ao alto!”, clicar AQUI. “Todos os fiéis, cada qual a seu modo, são obrigados por lei divina a fazer penitência”, ensina a Igreja. É justamente “para que todos estejam unidos mediante certa observância comum da penitência”, no entanto, que existe a Quaresma. Nesta homilia, a partir do evangelho das tentações de Cristo, Padre Paulo Ricardo dá uma chave espiritual para o tempo litúrgico em que estamos e convida-nos a elevarmos os nossos corações a Deus, a fim de vencermos os três inimigos de nossa alma.

 

QUARENTA DIAS (Meditação de Scott Hahnn)

Na cena épica do Evangelho de hoje, Jesus revive em sua carne a história de Israel.

Já vimos que, como Israel, Jesus passou pelas águas [do Jordão] e foi chamado de Filho amado de Deus (Lucas 3, 22; Êxodo 4, 22). Agora, da mesma maneira como Israel foi provado por quarenta anos no deserto, Jesus é levado ao deserto para ser provado por quarenta dias e quarenta noites (Êxodo 15, 25).

Ele enfrenta as mesmas tentações que foram apresentadas a Israel: faminto, Ele é tentado a murmurar contra Deus por causa de comida (Êxodo 16,1–13). Como Israel em Massa, Ele foi tentado a duvidar dos cuidados de Deus (Êxodo 17, 1-6). Quando o demônio pede para ser honrado, ele é tentado a fazer o que fez Israel ao criar o bezerro de ouro (Êxodo 32).

Jesus luta contra o demônio com a arma da Palavra de Deus, citando por três vezes o sermão de Moisés sobre as lições que Israel deveria aprender depois de suas peregrinações pelo deserto (Deuteronômio 8, 3; 6,16; 6, 12-15).

Por que lemos essa história no primeiro domingo da Quaresma? Porque, de forma semelhante ao sinal bíblico do número quarenta (Gênesis 7,12; Êxodo 24,18; 34, 28; 1 Reis 19, 8; Jonas 3, 4), os quarenta dias da Quaresma são um tempo de prova e purificação.

A Quaresma existe para nos ensinar a respeito do que ouvimos repetidamente nas leituras de hoje. “Ao invocar-me, hei de ouvi-lo e atendê-lo”, promete o Senhor no Salmo de hoje. São Paulo promete a mesma coisa na Epístola de hoje (citando Deuteronômio 30,14; Isaías 28,16; Joel 2, 32).

Esta foi a experiência de Israel, como Moisés lembra a seu povo na primeira leitura de hoje: “Clamamos, então, ao Senhor, o Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz”. Mas cada um de nós é tentado, como Israel, a esquecer as grandes obras que Ele realiza em nossas vidas, a negligenciar nosso direito de nascer como Seus filhos e filhas amados.

Como a prece de recordação que Moisés recomenda a Israel, deveríamos ver na Missa um memorial da nossa salvação e “nos inclinar em adoração diante Dele”, oferecendo-nos em ação de graças por tudo o que Ele nos deu.

https://stpaulcenter.com/forty-days-scott-hahn-reflects-on-the-first-sunday-of-lent/

 

 PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Deuteronômio 26, 4-10)

Inclinados em adoração diante Dele

Assim Moisés falou ao povo: “O sacerdote receberá de tuas mãos a cesta e a colocará diante do altar do Senhor teu Deus. Dirás, então, na presença do Senhor teu Deus: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com um punhado de gente e ali viveu como estrangeiro. Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios nos maltrataram e oprimiram, impondo-nos uma dura escravidão.

Clamamos, então, ao Senhor, o Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão, a nossa miséria e a nossa angústia. E o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa e braço estendido, no meio de grande pavor, com sinais e prodígios. E conduziu-nos a este lugar e nos deu esta terra, onde corre leite e mel. Por isso, agora trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor’. Depois de colocados os frutos diante do Senhor teu Deus, tu te inclinarás em adoração diante dele”.

 

SALMO 90

A seu lado Eu estarei em suas dores

(Antífona): Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!

— Quem habita ao abrigo do Altíssimo/ e vive à sombra do Senhor onipotente,/ diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção,/ sois o meu Deus, no qual confio inteiramente”.

— Nenhum mal há de chegar perto de ti,/ nem a desgraça baterá à tua porta;/ pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos/ para em todos os caminhos te guardarem.

— Haverão de te levar em suas mãos,/ para o teu pé não se ferir nalguma pedra./ Passarás por sobre cobras e serpentes,/ pisarás sobre leões e outras feras.

— “Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo/ e protegê-lo, pois meu nome ele conhece./ Ao invocar-me, hei de ouvi-lo e atendê-lo, e a seu lado eu estarei em suas dores”.

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Romanos 10, 8-13)

Todo o que crer será salvo

Irmãos: O que diz a Escritura? “A palavra está perto de ti, em tua boca e em teu coração”. Essa palavra é a palavra da fé, que nós pregamos.

Se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. É crendo no coração que se alcança a justiça e é confessando a fé com a boca que se consegue a salvação. Pois a Escritura diz: “Todo aquele que nele crer não ficará confundido”.

Portanto, não importa a diferença entre judeu e grego; todos têm o mesmo Senhor, que é generoso para com todos os que o invocam. De fato, todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo.

 

EVANGELHO (São Lucas 4, 1-13)

As armas da oração e da penitência no combate espiritual

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito. Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome. O diabo disse, então, a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão”. Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’”.

O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isso foi entregue a mim e posso dá-lo a quem eu quiser. Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu”.

Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’”.

Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado!’ E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”.

Jesus, porém, respondeu: “A Escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”. Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno.