Em relação ao confronto entre a Missa vetus ordo, estritamente em latim, e a novus ordo, tal como é rotineiramente celebrada hoje em dia, em cada igreja, tem havido nos últimos tempos, no mundo católico, um debate intenso, às vezes até bastante animado. Na maior parte das vezes, são discussões sobre aspectos litúrgicos, teológicos e pastorais, nos quais, por razões óbvias, a sociologia nunca se intrometeu. Pelo menos até bem pouco tempo. Mas eis que agora acaba de ser divulgada uma pesquisa sobre esse assunto, buscando verificar se existem diferenças significativas nas atitudes e condutas dos fiéis, segundo o tipo de Missa que costumam frequentar.

Especificamente, o estudo do padre Donald Kloster, formado pela Universidade de Texas, baseou-se nas ideias e opiniões de 1322 pessoas, através de inquéritos anônimos, abrangendo o período de março a novembro 2018. As mesmas perguntas foram colocadas on-line, e e 451 pessoas responderam ao questionário. Eram fiéis americanos provenientes de até 16 países, o que lhe confere dimensão internacional e, portanto, torna-a ainda mais interessante.

As perguntas do questionário focalizaram áreas diversificadas, como a aprovação ou não do uso de contraceptivos, aborto e casamento homossexual, a frequência de participação em Missas semanais e a taxa de fecundidade. Muito bem, o que aconteceu? Muitas coisas dignas de reflexão.

Para começar, note-se a gritante diferença no cumprimento das obrigações semanais, como, por exemplo, o comparecimento à Missa: um desconfortante 22% entre os católicos que vão à Missa novus ordo, contra 99 % de comparecimento entre os que frequentam a Missa em latim. A mesma coisa vale para a confissão: 98% dos fiéis do vetus ordo se confessaram pelo menos uma vez ao ano, contra 25% dos frequentadores da nova Missa. Grandes diferenças, que também se refletem no terreno da moral.

Uma cantilena muito diferente, infelizmente, se ouve no arraial dos demais católicos, com 89% tolerando a contracepção, 67% favorável ao casamento gay e 51% sem problemas com o aborto. Um cenário, esse último, que seria eufemístico definir como preocupante, e que testemunha a necessidade de mais formação e mais conhecimento entre esses católicos encharcados da cultura dominante, às vezes sem clara consciência do fato.

Também dignos de nota são os dados demográficos, com a balança da natalidade mais uma vez claramente pendendo para um dos lados. Mais precisamente (e já considerando que as famílias religiosas são geralmente mais prolíficas do que aquelas que não o são), constatou-se que as mulheres que assistem à Missa no rito extraordinário possuem uma taxa de fertilidade de 3,6 filhos, contra 2,3 das outras. Um fato importante que sugere como, em perspectiva, aqueles que preferem a massa em latim serão cada vez mais numerosos. Nada de extinção.

É uma pesquisa pioneira e estimulante. Uma questão muito importante logo se impõe: vai-se à Missa “tridentina” porque se é mais fiel à doutrina católica, ou se é mais fiel à doutrina católica porque se assiste à Missa em latim? Provavelmente, as duas coisas são verdadeiras, no sentido de que muito, na realidade, depende da experiência individual de cada um.

O que é certo é que a parte do mundo católico, que hoje está em diálogo com a modernidade laica e laicista, não quer nem ouvir falar de Missa em latim. E é uma pena, porque dessa Missa e, acima de tudo, daqueles que a frequentam, haveria muito que aprender.

http://lanuovabq.it/it/vai-alla-messa-in-latino-sei-piu-fedele-alla-dottrina

Pe. Donald L. Kloster é sacerdote da Diocese de Bridgeport, Connecticut, que serviu por mais de seis anos na paróquia pobre de Maria Inmaculada Eucarística na Arquidiocese de Guayaquil, Equador. Padre Kloster graduou-se no Seminário São Carlos Borromeo, Philadelphia, em 1995, tendo completado sua tese de mestrado em Teologia Moral. É nativo do Texas e se formou na Universidade do Texas, em Austin, em 1989. Além disso, pe. Kloster passou dois anos como estudante (e depois como novato) na abadia beneditina de Disentis, do século VII.