Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Mas os seus não O receberam”, clicar AQUI. Nosso Senhor Jesus Cristo “veio para o que era seu, mas os seus não O receberam”. É o que acontece na sinagoga de Nazaré, quando todos se levantam e O expulsam da cidade. É o que acontece em sua Paixão, quando zombam e se escarnecem dEle. E é o que acontece também em nossa época, quando, recusando-nos a crer no mistério da Encarnação do Filho de Deus, perdemos a ocasião de nos tornarmos, também nós, filhos de Deus.

 

O PROFETA DAS NAÇÕES (Meditação de Scott Hahn)

 As palavras de Deus na primeira leitura de hoje nos apontam, para além de Jeremias, o próprio Jesus. Como Jeremias, Jesus foi consagrado já no ventre materno e enviado como “profeta para as nações” (Lucas 1, 31–33).

Como os profetas antes dele, também Jesus enfrentou hostilidades. No Evangelho de hoje, a multidão na sinagoga de Sua cidade natal rapidamente se volta contra Ele, aparentemente exigindo um sinal, alguma prova de suas origens divinas — pois Ele é mais do que apenas “o filho de José”.

O sinal que Ele lhes dá é o dos profetas Elias e Eliseu. De suas passagens interessantes, Jesus extrai duas histórias. Em cada uma delas, os profetas ignoram “muitos em Israel”, para conceder as bênçãos de Deus aos não-israelitas, que tinham fé nos profetas como homens de Deus (1 Reis 17, 1–16; 2 Reis 5, 1–14). “Ninguém em Israel foi considerado merecedor”, enfatiza Jesus.

Esse aspecto não passou despercebido aos que O ouviam. Sabiam que Ele os estava comparando àqueles “muitos em Israel” dos dias dos profetas. É por isso que tentam atirá-lo do penhasco. Mas, assim como Deus prometeu proteger Jeremias, também livrou Jesus daqueles que O destruiriam.

E como Elias e Eliseu, Jesus é enviado para proclamar o dom da salvação de Deus; não exclusivamente a uma nação ou povo, mas a todos que compreendem, pela fé, que desde o ventre materno só Deus é a sua esperança, o seu redentor, a sua “rocha protetora”, como cantamos no salmo de hoje.

As profecias, como São Paulo nos diz na Epístola de hoje, são parciais e passarão “quando vier o que é perfeito”. Em Jesus, a palavra dos profetas foi levada à perfeição, cumprida naqueles que têm ouvidos para ouvir, como Ele declara no Evangelho de hoje.

Maior que os dons da fé e da esperança, Jesus nos mostra como devemos amar como Ele amou: amar a Deus como nosso Pai, como aquele que nos formou no ventre materno e nos destinou a ouvir a Sua Palavra de salvação.

Esta é a salvação, as “obras poderosas do Senhor”; como o salmista, damos graças por poder proclamá-las diariamente na Eucaristia.

https://stpaulcenter.com/prophet-to-the-nations-scott-hahn-reflects-on-the-fourth-sunday-in-ordinary-time/

 

 PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Jeremias 1, 4-5.17-19)

Deus protege os Seus profetas

Nos dias de Josias, rei de Judá, foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: “Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações. Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão, eu te farei tremer na presença deles. Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor.

 

SALMO 70

A Rocha protetora

(Antífona): Minha boca anunciará todos os dias vossas graças incontáveis, ó Senhor.

— Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:/ que eu não seja envergonhado para sempre!/ Porque sois justo, defendei-me e libertai-me!/ Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

— Sede uma rocha protetora para mim,/ um abrigo bem seguro que me salve!/ Porque sois a minha força e meu amparo,/ o meu refúgio, proteção e segurança!/ Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

— Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança,/ em vós confio desde a minha juventude!/ Sois meu apoio desde antes que eu nascesse,/ desde o seio maternal, o meu amparo.

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossa justiça e vossas graças incontáveis./ Vós me ensinastes desde a minha juventude,/ e até hoje canto as vossas maravilhas.

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios  12, 31-13,13)

A perfeição da Caridade

Irmãos: Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine.

Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada.

Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.

A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo.

A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.

Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança.

Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido.

Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.

 

EVANGELHO (São Lucas 4, 21-30)

A Caridade rejeitada

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”

Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”.

E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.

De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.

E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”.

Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.