Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O Espírito do Senhor está sobre mim”, clicar AQUI. No Evangelho deste domingo, Jesus se revela na sinagoga de Nazaré como o Messias anunciado pelo profeta Isaías: Ele é o ungido do Senhor para “proclamar a libertação aos cativos” e “a Boa-nova aos pobres”. De nossa parte, ensina Padre Paulo Ricardo nesta meditação, é necessário fugir da atitude dos conterrâneos de Cristo, que não O receberam, e deixar que nosso coração se alegre com as palavras do Senhor, sem o que não teremos forças para prosseguir em nossa jornada rumo ao céu.

 

 AURORA DE UM NOVO DIA (Meditação de Scott Hahn)

O significado da liturgia de hoje é sutil e cheio de camadas. Precisamos de algumas informações para compreender o que está acontecendo na primeira leitura de hoje. Tendo Babilônia sido derrotada, o rei Ciro da Pérsia decretou que os judeus exilados poderiam voltar para casa em Jerusalém. Eles reconstruíram seu templo em ruínas (Esdras 6, 15–17) e, sob Neemias, terminaram de reconstruir as muralhas da cidade (Neemias 6,15).

O palco estava montado para a renovação da aliança e o restabelecimento da Lei de Moisés como regra de vida do povo. É isso que está acontecendo na primeira leitura de hoje: Esdras lê e interpreta (Neemias 8: 8) a Lei e as pessoas respondem com um grande “Amém!”

Israel, como cantamos no Salmo de hoje, está se dedicando novamente a Deus e Sua lei. A cena parece a profecia de Isaías que Jesus lê no Evangelho de hoje.

Veja todo o capítulo 61 de Isaías. As “boas novas” trazidas por Isaías incluem estas promessas: a libertação dos prisioneiros (61, 1); a reconstrução de Jerusalém ou Sião (61, 3-4; v. também Isaías 60, 10); a restauração de Israel como um reino de sacerdotes (61, 6; Êxodo 19, 6); e a forja de uma aliança eterna (61, 8; e também Isaías 55, 3). Soa muito parecido à primeira leitura.

Jesus, por sua vez, declara que a profecia de Isaías se cumpre Nele. A cena do Evangelho também lembra a Primeira Leitura. Como Esdras, Jesus está diante do povo, recebe um pergaminho, desenrola-o, depois o lê e interpreta (compare Lucas 4, 16-17, 21 com Neemias 8, 2–6, 8–10).

Testemunhamos na liturgia de hoje a criação de um novo povo de Deus. Esdras começou a ler no alvorecer do primeiro dia do ano novo judaico (Levítico 23, 24). Jesus também proclama um “sabbath”, um grande ano de Jubileu, uma libertação da escravatura do pecado, uma quitação das dívidas que temos com Deus (Levítico 25, 10).

Esdras foi saudado pela multidão das pessoas como se esta fosse um único homem. E, como ensina a epístola de hoje, no Espírito o novo povo de Deus — a Igreja — se fez “um só corpo” com Ele.

https://stpaulcenter.com/new-day-dawns-scott-hahn-reflects-on-the-third-sunday-in-ordinary-time/

 

 

 PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Neemias 8, 2-4a.5-6.8-10)

A renovação da aliança pela Palavra

Naqueles dias, o sacerdote Esdras apresentou a Lei diante da assembleia de homens, de mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês.

Assim, na praça que fica defronte da porta das Águas, Esdras fez a leitura do livro, desde o amanhecer até ao meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. E todo o povo escutava com atenção a leitura do livro da Lei.

Esdras, o escriba, estava de pé sobre um estrado de madeira, erguido para esse fim.

Estando num lugar mais alto, ele abriu o livro à vista de todo o povo. E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, levantando as mãos: “Amém! Amém!”

Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor, com o rosto em terra. E leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura.

O governador Neemias e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo, disseram a todos: “Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus! Não fiqueis tristes nem choreis”, pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei.

E Neemias disse-lhes: “Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força”.

 

SALMO 18B

As palavras do Espírito

(Antífona): Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida!

— A lei do Senhor Deus é perfeita,/ conforto para a alma!/ O testemunho do Senhor é fiel,/ sabedoria dos humildes.

— Os preceitos do Senhor são precisos,/ alegria ao coração./ O mandamento do Senhor é brilhante,/ para os olhos é uma luz.

— É puro o temor do Senhor,/ imutável para sempre./ Os julgamentos do Senhor são corretos/ e justos igualmente.

— Que vos agrade o cantar dos meus lábios/ e a voz da minha alma;/ que ela chegue até vós, ó Senhor,/ meu Rochedo e Redentor!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios 12,12-14.27)

Os membros do corpo de Cristo

Irmãos: Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo.

De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros. Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo.

 

EVANGELHO (São Lucas 1, 1-4; 4,14-21)

A Palavra que se fez carne

Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra.

Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste.

Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza.

Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura.

Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.

Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.