Para todos os pensadores sociais anteriores a Maquiavel, o objetivo da vida política era a virtude. Uma boa sociedade era concebida como aquela em que as pessoas eram boas. Não havia um “duplo padrão” para a bondade individual e a social, até Maquiavel.

Com ele, a política tornou-se não mais a arte do bem, mas a arte do possível. Sua influência nesse aspecto foi enorme. Todos os principais filósofos sociais e políticos (Hobbes, Locke, Rousseau, Mill, Kant, Hegel, Marx, Nietzsche, Dewey) rejeitaram posteriormente o objetivo da virtude, conforme Maquiavel tinha baixado o padrão, e quase todos começaram a saudar a bandeira recém erguida por ele.

Segundo a argumentação de Maquiavel, a moralidade tradicional era como as estrelas; belas, mas distantes demais para lançar alguma luz útil em nosso caminho terreno. Em vez disso, precisamos de lanternas feitas pelo homem; em outras palavras, metas atingíveis. Devemos agir a partir da terra, não dos céus; pelo que os homens e as sociedades realmente fazem, não pelo que deveriam fazer.

A essência da revolução de Maquiavel era julgar o ideal pelo real ao invés de julgar o real pelo ideal. Um ideal é bom, para ele, se for prático; dessa maneira, Maquiavel é o pai do pragmatismo.

Não apenas “o fim justifica os meios” — seja qual for o meio que se utilize —, mas os meios também podem justificar o fim, no sentido de que só vale a pena perseguir um fim se houver meios práticos para atingi-lo. Em outras palavras, o novo summum bonum, ou bem maior, é o sucesso. (Maquiavel parece ser não apenas o primeiro pragmatista, mas o primeiro pragmatista americano!)

Maquiavel não apenas reduziu os padrões morais; ele os aboliu. Mais do que um pragmatista, ele foi um anti-moralista. O único sentido que via na moralidade era ela poder ser útil ao sucesso de um empreendimento. Ele ensinou que era necessário a um príncipe bem-sucedido “aprender como não ser bom” (O Príncipe, cap. 15), como romper promessas, mentir, enganar e roubar (cap. 18).

Por causa dessas concepções escandalosas, alguns dos contemporâneos de Maquiavel viram O Príncipe como um livro literalmente inspirado pelo diabo. Estudiosos modernos, no entanto, geralmente a vêem como obra científica. Defendem Maquiavel, afirmando que ele não negou a moralidade, mas simplesmente escreveu um livro sobre outro assunto: sobre aquilo que é, mais do que sobre o que deveria ser. Eles até o elogiam por sua ausência de hipocrisia, subentendendo que a vida moral é o mesmo que hipocrisia.

https://www.thecatholicthing.org/2018/04/10/machiavellis-revolution/