Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O Céu que se abre para nós”, clicar AQUI. O Evangelho deste domingo, festa do Batismo do Senhor, mostra os céus se abrindo enquanto Jesus Cristo era batizado. Nesta meditação, Padre Paulo Ricardo comenta os significados desse acontecimento, lançando uma luz sobre o batismo que nós mesmos recebemos e exortando-nos a uma vida intensa de oração, sem a qual, mesmo batizados, não entraremos no Céu.

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 42, 1-4.6-7)

A Luz das nações

Assim fala o Senhor: “Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas”.

 

SALMO 28

Eis a voz do Senhor sobre as águas

(Antífona): Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

— Filhos de Deus, tributai ao Senhor,/ tributai-lhe a glória e o poder!/ Dai-lhe a glória devida ao seu nome;/ adorai-o com santo ornamento!

— Eis a voz do Senhor sobre as águas,/ sua voz sobre as águas imensas!/ Eis a voz do Senhor com poder!/ Eis a voz do Senhor majestosa.

— Sua voz no trovão reboando!/ No seu templo os fiéis bradam: “Glória!”/ É o Senhor que domina os dilúvios,/ o Senhor reinará para sempre!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apostolos 10, 34-38)

O Senhor de todos

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”.

 

EVANGELHO (São Lucas 3, 15-16.21-22)

Quando o Céu se abriu

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”.

 

O UNGIDO (Meditação de Scott Hahn)

A Liturgia revelou na semana passada o mistério do plano de Deus: que em Jesus todos os povos, simbolizados pelos magos, foram feitos “co-herdeiros” das bênçãos prometidas a Israel. Nesta semana, nos é mostrado como podemos reivindicar nossa herança.

Jesus não se submete ao batismo de João como pecador que precise de purificação. Ele humilha a Si mesmo, atravessando as águas do Jordão, a fim de comandar um novo “êxodo” — abrindo a terra prometida do céu para que todos os povos possam ouvir as palavras pronunciadas sobre Jesus hoje, palavras outrora reservadas apenas a Israel e seu rei; pois cada um de nós é um filho ou filha amados de Deus (Gênesis 22,  2; Êxodo 4, 22; Salmos 2, 7).

Jesus é o servo escolhido que Isaías profetiza na Primeira Leitura de hoje, ungido com o Espírito para realizar as coisas certas e justas aqui na terra. Deus põe o Seu Espírito sobre Jesus para torná-lo “o centro da aliança do povo”, o libertador dos cativos, a luz das nações. Jesus, conforme a segunda leitura de hoje nos diz, é Aquele que há muito se esperava em Israel, ungido com o Espírito Santo e poder.

A palavra messias significa “ser ungido” com o Espírito de Deus. O rei Davi foi “o ungido do Deus de Jacó” (II Samuel 23, 1–17; Salmo 18, 51; 132, 10, 17). Os profetas ensinaram Israel a esperar um rebento real de Davi, sobre quem o Espírito repousaria (Isaías 11, 1–2; Daniel 9, 25).

É por isso que as multidões estão tão ansiosas, no início do Evangelho de hoje. Mas não é por João que eles procuram. Deus confirma, com Sua própria voz, o que o anjo disse a Maria: Jesus é o Filho do Altíssimo, vindo para reclamar o trono de Davi para sempre (Lucas 1, 32–33).

No Batismo que Ele traz, a voz de Deus pairará sobre as águas como chama de fogo, conforme cantamos no Salmo de hoje. Ele santificou as águas, fazendo delas um caminho para a cura e a liberdade — fonte de um novo nascimento e a vida eterna.

 

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