Sobre o Natal

O Natal é um obstáculo ao progresso moderno. Enraizado no passado, inclusive no passado remoto, ele não pode ser útil a um mundo em que a ignorância da história é a única evidência clara do conhecimento científico. Nascido entre milagres, relatados há dois mil anos atrás, não se pode esperar que impressione aquele senso comum robusto que pode resistir à evidência mais clara e palpável de milagres acontecendo neste momento. O Natal não é moderno; o Natal não é marxista; o Natal não se amolda ao padrão dessa grande era da Máquina, que promete uma época de felicidade e prosperidade ainda maior do que aquela que já trouxe às massas até o presente momento. O Natal é medieval. O Natal é uma superstição… O Natal é uma sobrevivência do passado.

Sobre as canções de Natal

É nas velhas canções natalinas, canções que remontam à Idade Média, que encontramos não só o que torna o Natal poético, repousante e grandioso, mas antes de tudo o que torna o Natal empolgante. A qualidade empolgante do Natal consiste, assim como todos os outros exemplos que mencionei, num antigo e reconhecido paradoxo. Consiste no grande paradoxo de que o poder e o centro de todo o universo podem ser encontrados em algo aparentemente pequeno, de modo que as estrelas em seu curso possam se mover como uma roda em movimento ao redor de um desprezado cômodo de fundo de uma hospedaria. E é extraordinário notar como esse sentimento do “paradoxo da manjedoura” escapou completamente aos teólogos mais brilhantes e engenhosos, na mesma proporção em que foi mantido pelas canções de Natal, que nunca esqueceram do seguinte: o principal assunto da história que tinham para contar era que o absoluto governava o universo a partir de uma estrebaria.

Sobre cartões de Natal

Um cartão de Natal que emociona um cristão frio e distante, intrinsecamente idólatra, não é um cartão de Natal. Se o cartão nos surpreende com o paganismo sombrio que existia antes do cristianismo — ou com aquele paganismo muito mais sombrio que, em muitos lugares, vem depois dele — não é uma mensagem do Menino Jesus ou de São Nicolau.

Sobre os presentes de Natal

O próprio Cristo foi um presente de Natal. A tradição de presentes de Natal começa antes mesmo de Ele nascer, nos primeiros movimentos dos sábios orientais e da estrela. Os Três Reis chegaram a Belém trazendo ouro, incenso e mirra. Se eles tivessem trazido apenas coisas abstratas, como Verdade, Pureza e Amor, não teria havido arte cristã nem civilização cristã.

Os três presentes

Havia três coisas prefiguradas e prometidas pelos presentes na gruta de Belém, com respeito à Criança que as recebeu: que Ele seria coroado como um rei; que Ele deveria ser adorado como um Deus; e que Ele deveria morrer como um homem. E essas coisas soariam como bajulação oriental, não fosse pelo terceiro.

https://www.thecatholicthing.org/2009/12/29/chesterton-on-christmas/