Como ser feliz num mundo tão destroçado espiritualmente? Creio só haver uma saída: converter-se à “repressora” Igreja Católica. E um bom caminho para essa Roma “malvada”, a partir do melancólico Brasil — que hoje só parece pensar em sexo, futebol, carnaval — são os cursos na internet do padre Paulo Ricardo, um sacerdote para quem só é verdadeiramente feliz o que toma a cruz de Cristo e O segue.

Com o propósito de colaborar nesta árdua tarefa, a busca da verdadeira felicidade, o padre Paulo Ricardo criou um site — provavelmente o principal site católico brasileiro da atualidade —, o Christo nihil praeponere (“Nada antepor a Cristo”, em padrepauloricardo.org), com cursos de introdução ao método teológico,  ao direito canônico, à teologia do corpo de João Paulo II, à teologia mística e os dons carismáticos, à demonologia, ao catecismo da Igreja Católica, à história da Igreja antiga, à revolução e marxismo cultural, à escatologia e o fim dos tempos, entre vários outros.

Os cursos, em seu conjunto — “work in progress” que não cessa de crescer —, estão disponíveis por um preço irrisório. Não há nada parecido, na internet brasileira. Cada curso se compõe de várias aulas, nas versões vídeo, áudio e texto, em que a erudição do professor se completa catolicamente com a clareza expositiva. Ninguém mais distante da arenga “pós-moderna”, com sua falsa impressão de profundidade, do que padre Paulo Ricardo.

Um dos melhores cursos oferecidos, Terapia das doenças espirituais (sobre os pecados e seu combate), foi refeito. Com sua permanente disposição de pensar enquanto ensina e ensinar enquanto pensa, padre Paulo Ricardo resolveu “reescrevê-lo”: baseado inicialmente no pensamento da Patrística, foi enriquecido com a perspectiva de Santo Tomás de Aquino.

Vi certa vez um vídeo, no youtube, em que logo após a Missa um sacerdote paramentado jogava vôlei com a assembléia de fiéis, e depois sorteava bolas e velocípedes. Padre Paulo Ricardo tem outra compreensão do que seja o bem: insiste que, para a salvação eterna, é preciso eliminar o pecado mortal. Ninguém espere, portanto, em seu site, bolas coloridas ou velocípedes como brindes, por mais interessantes que sejam como brinquedos e até como objetos da prática filantrópica (se o sorteio fosse feito, evidentemente, fora do ambiente sagrado).

Sua briga é mais embaixo e, sobretudo, mais acima. Padre Paulo crê no inferno e no paraíso. Mais do que preparar tranquilos cidadãos para a cidade dos homens, quer formar combatentes para o exército da Luz na terrível batalha contra o bando da Trevas, num verdadeiro adestramento da alma e da carne, corrompidos pelo pecado original, visando o futuro encontro do corpo glorioso e ressuscitado com a alma bem-aventurada que já estará no Céu. Trata-se, portanto, de um curso que se faz hoje, com míseros trinta reais, mas nunca perde a validade: durará pelos séculos dos séculos.

Mas sua insistência na educação das virtudes se insere num propósito maior, que chamou de Projeto Terceira Morada, inspirado nas idéias de Santa Teresa d’Ávila. É certo que, com a eliminação dos pecados mortais — através da terapia das doenças espirituais —, as pessoas se salvam; mas o padre espera mais de seus alunos: além da salvação, quer que eles sejam santos.

Daí, em seguida, a sua ênfase na vida de oração, sobretudo a oração interior, que se transformou numa espécie de ritornelo ou idéia condutora de suas aulas e pregações. A meta é a santidade, e o meio de atingi-la seria o “caminho de perfeição”, de Santa Teresa d’Ávila, que conduz ao “castelo interior”, com suas sete moradas. Mas padre Paulo Ricardo já se contenta em levar seus alunos à terceira morada do castelo.

Padre Paulo Ricardo, homem de grande cultura, é também um grande pregador (destacaria as brilhantes pregações que fez para a TV Canção Nova, disponíveis em vídeo). Suas homilias diárias, que já entraram na casa dos milhares, são densas meditações sobre o Evangelho do dia, alternando aqui e ali com reflexões sobre a vida de alguns santos. Jamais me esquecerei de um sermão que proferiu — melhor diria: expectorou —, por ocasião da festa da padroeira do país, sobre a vergonha de ser brasileiro durante o governo socialista. Intitulava-se “Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Imperatriz do Brasil”.

Não poderia ficar sem reação o seu incansável trabalho em defesa da Igreja de sempre, como crítico destemido da “teologia da libertação” e demais correntes teológicas ditas progressistas, ou neomodernistas. No início de 2012, umas duas dúzias de padres e religiosos da Arquidiocese de Cuiabá pediram ao arcebispo, em “Carta Aberta”, que seu colega Paulo Ricardo de Azevedo Júnior fosse afastado das atividades de ensino e de todo e qualquer meio de comunicação, alegando problemas morais e de saúde mental. Chamavam-no de homem amargurado, profundamente infeliz, fatigado e transtornado, raivoso e compulsivo.

Padre Paulo Ricardo, repudiando as “falsas teologias” que nas últimas décadas penetraram na Igreja Católica, é um crítico destemido de coisas como a “teologia da libertação” ou a teologia neomodernista do jesuíta alemão Karl Rahner que, com sua mistura de Kant, Hegel, Heidegger, está implodindo o currículo dos cursos de teologia e filosofia que formam sacerdotes, tornando-os maleáveis à mentalidade abortista e homossexualista que se espalha pelas mídias, pelos ginásios, pelas universidades.

Não poucos seminaristas, porém, freqüentam e a acompanham o seu site, contrariando as orientações teológicas das escolas diocesanas que freqüentam. Não é à toa que muitos bispos “progressistas” considerem altamente deletéria a sua influência junto a leigos, seminaristas e jovens sacerdotes. Não se admite que um padre tão medieval, de batina e tudo mais, ouse atirar à fogueira as suas pobres idéias moderninhas e as reduza a pó — uma fogueira feita de rigoroso raciocínio lógico, em clara sintonia com o mundo real.