Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A voz daquele que grita no deserto”, clicar AQUI. São João Batista é retratado no Evangelho deste domingo como “a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas’”. Nesta meditação, Padre Paulo Ricardo apresenta-nos o contexto de exílio em que foram escritas essas palavras do profeta Isaías e procura aplicá-las à nossa realidade hoje. O que significa que todo vale seja aterrado e que toda montanha e colina sejam rebaixadas? Como acontece em nossa vida a salvação que vem de Deus?

 PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Baruc 5, 1-9)

O Santo que liberta

Despe, ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus. Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno.

Deus mostrará teu esplendor, ó Jerusalém, a todos os que estão debaixo do céu. Receberás de Deus este nome para sempre: “Paz-da-justiça e glória-da-piedade”.

Levanta-te, Jerusalém, põe-te no alto e olha para o Oriente! Vê teus filhos reunidos pela voz do Santo, desde o poente até o levante, jubilosos por Deus ter-se lembrado deles. Saíram de ti, caminhando a pé, levados pelos inimigos. Deus os devolve a ti, conduzidos com honras, como príncipes reais.

Deus ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas eternas, e se enchessem os vales, para aplainar a terra, a fim de que Israel caminhe com segurança, sob a glória de Deus. As florestas e todas as árvores odoríferas darão sombra a Israel, por ordem de Deus. Sim, Deus guiará Israel, com alegria, à luz de sua glória, manifestando a misericórdia e a justiça que dele procedem.

 

SALMO 125

A alegria da libertação

(Antífona): Maravilhas fez conosco o Senhor: exultemos de alegria!

— Quando o Senhor reconduziu nossos cativos,/ parecíamos sonhar./ Encheu-se de sorriso nossa boca;/ nossos lábios, de canções.

— Entre os gentios se dizia:/ “Maravilhas fez com eles o Senhor!”/ Sim, maravilhas fez conosco o Senhor:/ exultemos de alegria!

— Mudai a nossa sorte, ó Senhor,/ como torrentes no deserto./ Os que lançam as sementes entre lágrimas,/ ceifarão com alegria.

— Chorando de tristeza sairão,/ espalhando suas sementes;/ cantando de alegria voltarão,/ carregando os seus feixes!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Filipenses 1,4-6.8-11)

A liberdade da santificação

Irmãos: Sempre em todas as minhas orações rezo por vós, com alegria, por causa da vossa comunhão conosco na divulgação do Evangelho, desde o primeiro dia até agora.

Tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra há de levá-la à perfeição até o dia de Cristo Jesus.

Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós, com a ternura de Cristo Jesus.

E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é o melhor. E assim ficareis puros e sem defeito para o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.

 

EVANGELHO (São Lucas 3, 1-6)

A saída do deserto

No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes administrava a Galileia, seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide, e Lisânias a Abilene; quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes, foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.

E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus’”.

 

O CAMINHO DE CASA (Meditação de Scott Hahn)

O Salmo de hoje descreve uma cena de sonho: uma estrada cheia de prisioneiros libertados, voltando para casa em Sião (Jerusalém), com as bocas cheias de risos e e as línguas cheias de alegria.

É uma imagem gloriosa do passado de Israel, um “novo êxodo”, a libertação do exílio na Babilônia, recordado em um momento de flagrante incerteza e ansiedade. Mas o salmista não o faz por nostalgia. Lembrando que “o Senhor fez grandes coisas” no passado, ele está fazendo um ato de fé e de esperança de que Deus virá a Israel auxiliá-lo em sua necessidade atual, e que Ele fará coisas ainda maiores no futuro.

É disso que tratam as leituras do Advento. Recordamos os feitos salvadores de Deus, tanto na história de Israel como na vinda de Jesus. A razão de nossa lembrança é avivar a nossa fé, para nos encher com a confiança de que (como diz a epístola de hoje) “Aquele que começou uma boa obra em [nós], continuará a completá-la” até que Ele venha novamente em glória.

Cada um de nós, ensina a Liturgia, é como Israel em seu exílio, levados ao cativeiro por nossa pecaminosidade, necessitados de restauração e conversão pela Palavra do Santo (Baruque 5, 5).

As lições da história da salvação devem nos ensinar que, como Deus libertou Israel mais de uma vez, em Sua misericórdia Ele também nos libertará de nossa dependência do pecado, se nos voltarmos para Ele arrependidos.

Essa é a mensagem de João, que é apresentado no evangelho de hoje como o último dos grandes profetas (v. Jeremias 1, 1–4, 11). Mas João é maior do que os profetas (Lucas 7, 27). Ele está preparando o caminho, não apenas para uma nova redenção de Israel, mas para a salvação de “toda carne” (veja também Atos 28, 28).

João cita Isaías (40, 3) para nos dizer que veio para nos construir um caminho para casa, uma saída do deserto do pecado e da alienação de Deus. É uma estrada na qual seguiremos Jesus, uma caminhada que devemos fazer com alegria, como diz a primeira leitura de hoje, por que somos lembrados por Deus.

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