Vale a pena ser católico hoje? Na verdade, nunca foi tão difícil ser católico como hoje. A Igreja — cujas exigências morais colidem com o hedonismo reinante — é permanentemente atacada pela mídia secularista, as artes, pela universidade (inclusive universidades pontifícias), pelos movimentos de contestação da moral cristã (feminismo, teoria de gênero) e pelas próprias correntes teológicas progressistas que insistem em autonomear-se de católicas. Atos sacrílegos e blasfemos contra a Igreja são realizados nos seus lugares mais sagrados, quase sem repúdio da parte dos cristãos.

Esses são alguns dos inimigos externos, comandados pela “nova ordem mundial”. Internamente, os problemas também são muitos, a começar pela decadência dos institutos de formação do clero, infiltrados de falsa teologia e pensamento ideológico anticatólico. Ordens religiosas encontram-se completamente desligadas do seu carisma de fundação. Estouram escândalos homossexuais do baixo ao alto clero, com permissividade ou conivência de autoridades eclesiásticas. Vê-se uma explícita militância política esquerdista de padres e bispos, com penalização canônica (ou ameaça de) a clérigos que defendem a fé católica de sempre; e louvor e glória a padres e bispos “heterodoxos” (sinônimo politicamente correto de “heréticos”).

O relaxamento da catequese, nas paróquias, vai provocando um generalizado analfabetismo religioso (desconhecimento dos dogmas; indiferença pelos sacramentos, sobretudo o matrimônio, penitência e Eucaristia; ausência de oração) e total desorientação moral dos católicos (que abortam, esterilizam-se, usam anticoncepcional, divorciam, praticam uma sexualidade self-service, votam em partidos anticristãos)

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É um cenário realmente desanimador. Contudo, apesar de todo esse quadro de crise do catolicismo, a resposta àquela pergunta do início é sim — em alto e bom som. Não só vale a pena ser católico hoje, como valeu ontem e valerá amanhã, pois é a Igreja fundada pelo próprio Deus feito homem como único caminho de salvação.

Nenhuma Igreja tem defendido como ela os chamados “princípios inegociáveis”: defesa da vida em todas as suas fases, da concepção à morte natural; casamento como união permanente entre um homem e uma mulher; direito dos pais de decidir sobre a educação dos próprios filhos. Apesar de atualmente em descrédito, a moral católica é a mais adequada para uma vida digna. Não existe melhor arma de proteção à instituição familiar do que ela.

A civilização ocidental deve tudo à religião fundada por Cristo, desde a música mais sofisticada (cujas bases foram lançadas pelos monges medievais) à tecnologia que torna o nosso cotidiano mais suportável (derivada das leis científicas que só puderam ser descobertas pela estrutura escolar desenvolvida pelos mesmos monges), revelando a perfeita compatibilidade entre ciência e fé.

Ricos e pobres, pecadores e santos, podem sentar-se no mesmo banco de igreja durante as Missas. Nenhuma instituição humana fez e faz mais caridade do que essa criação divina chamada Igreja Católica, com seus hospitais, asilos, orfanatos. A educação católica era (e, apesar de tudo, ainda é) a única que preparava os alunos para este mundo e para o outro. Mesmo que atualmente o ensino universitário esteja em profunda crise, foi a Igreja que o fundou na Idade Média.

Foi a Igreja que, divinamente inspirada, escolheu os livros que formariam a Bíblia. Pelo dogma da comunhão dos santos, temos incontáveis santos intercedendo por nós, que ainda estamos aqui, ou pelas almas do Purgatório. Anjos atuam a cada segundo em nossa defesa. Segundo cálculo do professor de física Felipe Aquino, mais de 400 mil Missas são celebradas por dia em todo o mundo (mais quatro Missas por segundo), nas quais se reza pelo mundo todo e se atualiza o único e irrepetível sacrifício redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Igreja católica tem a sua unidade garantida pela presença de um vigário de Cristo na terra, o papa (“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja”). E mesmo que um papa seja uma pessoa da mais alta indignidade, como o foram tantos ao longo da História, a Igreja — enquanto Corpo visível, na Terra, do Cristo-cabeça que está no Céu — é santa. Cheia de pecadores, mas santa e irrepreensível naquilo que ensina por Cristo, em Cristo e com Cristo.

Os problemas da Igreja de hoje não podem sobrepujar as soluções da Igreja de sempre. É palavra de Deus, e Deus não mente: as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Sua Igreja.