Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A oferta de uma viúva”, clicar AQUI. O Céu é nosso amigo! No Evangelho deste domingo, “diante do cofre de esmolas” do templo, Nosso Senhor comenta o gesto de “uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada”. Por que a sua simples oferta foi considerada “mais do que todos os outros que ofereceram esmolas”? Contemplando com o olhar de Cristo o coração dessa pobre mulher, que lição podemos aprender de sua generosidade? É o que Padre Paulo Ricardo explica em mais esta meditação.

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (1Reis 17, 10-16)

A obediência da viúva

Naqueles dias, Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: “Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber”.

Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: “Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão”. Ela respondeu: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”.

Elias replicou-lhe: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias.

 

SALMO 145

Deus não desampara quem a Ele se oferece

(Antífona): Bendize, minh’alma, bendize ao Senhor!

O Senhor é fiel para sempre,/ faz justiça aos que são oprimidos;/ ele dá alimento aos famintos,/ é o Senhor quem liberta os cativos.

O Senhor abre os olhos aos cegos,/ o Senhor faz erguer-se o caído;/ o Senhor ama aquele que é justo./ É o Senhor quem protege o estrangeiro.

Quem ampara a viúva e o órfão,/ mas confunde os caminhos dos maus./ O Senhor reinará para sempre!/ Ó Sião, o teu Deus reinará/ para sempre e por todos os séculos!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Carta aos hebreus 9, 24-28)

A oferta de Cristo na cruz

Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo sacerdote que, cada ano, entra no Santuário com sangue alheio. Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. O destino de todo homem é morrer uma só vez e, depois, vem o julgamento. Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam.

 

EVANGELHO (São Marcos 12, 38-44)

A oferta da própria vida

Naquele tempo, Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”.

Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias.

Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.

 

A FÉ DA VIÚVA (Meditação de Scott Hahn)

Devemos viver a obediência da fé, uma fé que é demonstrada através de obras de caridade e de auto-doação (Ga 5, 6). Esta é a lição que nos foi dada pelas duas viúvas mencionadas na liturgia de hoje.

A viúva da primeira leitura não é sequer judia; no entanto, confia na palavra de Elias e na promessa do seu Senhor. Mesmo sendo vítima da fome, ela é capaz de dar tudo o que tem, o que sobrou de sua própria comida, para alimentar o homem de Deus, em vez dela mesma e sua família.

A viúva do Evangelho também dá tudo o que tem; oferece sua última moeda para ajudar o serviço dos sacerdotes do Senhor no Templo.

Com seu espírito de sacrifício, essas viúvas expressam o amor que constitui o coração da Lei e do Evangelho, do qual Jesus falou nas leituras do último domingo. Elas refletem o amor do Pai ao dar o seu único Filho, e o amor de Cristo sacrificando-se na cruz.

Na epístola de hoje, novamente o Cristo nos é apresentado como o novo Sumo Sacerdote e como o Servo Sofredor predito por Isaías. Na cruz, Ele fez o sacrifício definitivo para apagar nosso pecado e nos conduzir à salvação (Is 53, 12).

E, novamente, somos chamados a imitar em nossas próprias vidas o seu sacrifício de amor. Seremos julgados não pela quantia que dermos — os escribas e os ricosa contribuiu com muito mais do que a viúva —, mas na medida em que nossas esmolas signifiquem a oferta de nossas vidas, de todo o nosso ser, com todo o nosso coração, alma, mente e força.

Acaso estaremos dando tudo o que podemos ao Senhor, não como obrigação, mas com espírito de generosidade e amor (2Co 9, 6-7)?

“Não tema”, o homem de Deus nos diz hoje. E o salmo nos lembra que o Senhor nos dará tudo, assim como sustenta a viúva.

Vamos seguir o exemplo das viúvas e fazer o que Deus pede, confiantes de que não haverá escassez de farinha em nossas vasilhas ou óleo em nossas jarras.

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