Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A oração de um mendigo cego”, clicar AQUI. Assim como Bartimeu, curado por Nosso Senhor no Evangelho deste domingo, também nós somos cegos e mendigos: cegos porque, depois da queda de Adão, deixamos de ver a Verdade; e mendigos porque miseráveis e necessitados da graça divina. E, no entanto, se Deus já conhece nossa condição, por que precisamos pedir-lhe as coisas através da oração? Ouça esta meditação do Padre Paulo Ricardo e saiba o que tem a nos ensinar mais esse episódio bíblico de cura pela fé.

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Jeremias 31, 7-9)

A salvação do resto de Israel

Isto diz o Senhor: “Exultai de alegria por Jacó, aclamai a primeira das nações; tocai, cantai e dizei: ‘Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel’. Eis que eu os trarei do país do Norte e os reunirei desde as extremidades da terra; entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes: são uma grande multidão os que retornam. Eles chegarão entre lágrimas e eu os receberei entre preces; eu os conduzirei por torrentes d’água, por um caminho reto onde não tropeçarão, pois tornei-me um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito”.

 

SALMO 125

A volta dos cativos

(Antífona): Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

— Quando o Senhor reconduziu nossos cativos,/ parecíamos sonhar;/ encheu-se de sorriso nossa boca,/ nossos lábios, de canções.

— Entre os gentios se dizia: “Maravilhas/ fez com eles o Senhor!”/ Sim, maravilhas fez conosco o Senhor,/ exultemos de alegria!

— Mudai a nossa sorte, ó Senhor,/ como torrentes no deserto./ Os que lançam as sementes entre lágrimas,/ ceifarão com alegria.

— Chorando de tristeza sairão,/ espalhando suas sementes;/ cantando de alegria voltarão,/ carregando os seus feixes!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Hebreus 5, 1-6)

O único Salvador

Todo sumo-sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, deve oferecer sacrifícios tanto pelos pecados do povo, quanto pelos seus próprios. Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão. Deste modo, também Cristo não se atribuiu a si mesmo a honra de ser sumo-sacerdote, mas foi aquele que lhe disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”. Como diz em outra passagem: “Tu és sacerdote para sempre, na ordem de Melquisedec”.

 

EVANGELHO (São Marcos 10, 46-52)

Salvo pela oração persistente

Naquele tempo, Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”

Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!”

O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.

 

DE OLHO NO FILHO DE DAVI (Comentário de Scott Hahn)

O evangelho de hoje é irônico. Um cego, Bartimeu, é o primeiro a reconhecer Jesus como o Messias (além dos apóstolos). Sua cura é o último milagre que Cristo faz antes de entrar na cidade santa de Jerusalém, na última semana de sua vida na terra.

A cena, no caminho para Jerusalém, evoca a alegre procissão profetizada por Jeremias na primeira leitura de hoje. A profecia é cumprida em Cristo. Deus, através de seu Messias, liberta seu povo do exílio, trazendo-o dos confins da terra, com os cegos e coxos caminhando entre os demais.

Jesus, como proclama Bartimeu, é o Filho tão esperado prometido a Davi (2S 7, 12-16; Is 11, 1; Jr 23, 5). Quando ele entrar triunfalmente em Jerusalém, todos reconhecerão que o reino eterno de Davi já chegou (Mc 11, 9-10).

Como ouvimos na epístola de hoje, era esperado que o Filho de Davi fosse o Filho de Deus ( Sl 2, 7). Ele estava destinado a ser um sacerdote-rei, como Melquisedeque (Sl 110, 4), que ofereceu pão e vinho ao Deus Altíssimo no alvorecer da história da salvação (Gn 14, 18-20).

Bartimeu é um símbolo do seu povo, o povo cativo de Sião, assunto do salmo que cantamos de hoje. Seu Deus fez grandes coisas por ele. Em toda a sua existência semeou entre lágrimas e pranto; agora, colhe uma vida nova.

Bartimeu também deveria ser um sinal para nós. Quantas vezes Cristo passa diante de nós na pessoa dos pobres, ou disfarçado de um membro problemático da nossa família, ou como um companheiro difícil (Mt 25, 31-46), e nós não O vemos!

Cristo continua a nos chamar através de sua Igreja, como ele chamou Bartimeu através de seus apóstolos. Contudo, nos encontra tantas vezes dando ouvidos à multidão e não aos ensinamentos da sua Igreja!

Hoje, ele nos pergunta como fez a Bartimeu: “O que queres que eu te faça?” Com alegria, vamos também perguntar a Cristo: “O que queres que façamos por Ti, em gratidão por tudo o que fizeste por nós?”

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