O PERFIL MORAL DO CANDIDATO. Aproxima-se o segundo turno da eleição presidencial e o cristão deve saber que não pode votar em qualquer candidato, sobretudo se suas idéias contradizem os ensinamentos de Cristo. É preciso conhecer o perfil moral dos candidatos, antes de avaliar seu plano de governo para áreas mais específicas.  Possivelmente, hoje em dia, o problema moral mais relevante é o do aborto, pois tem a ver com a defesa da vida humana em sua própria fonte, seguido de muito perto pelo problema da dissolução da família natural, composta por um homem, uma mulher e seus filhos, e o direito dos pais de decidir sobre a educação dos próprios filhos, repudiando com veemência a “ideologia de gênero” nas escolas. Se o candidato não passar nesse teste básico de moral, não estará apto para a vida pública.

A INDISPONIBILIDADE DO ABORTO. O filósofo italiano Stefano Fontana, em sua recente obra Igreja gnóstica e secularização – a antiga heresia e a desintegração da fé (Fede & Cultura, Verona, 2018, ainda sem tradução para o português), afirma que há certas coisas que nunca estarão “disponíveis” para a manipulação humana. Uma dessas coisas é a vida humana, que é sagrada: o homem não pode interrompê-la em nenhum momento, desde o nascimento até a morte natural. Por isso, tanto o aborto como a eutanásia estão “indisponíveis”. E essa “indisponibilidade” deve ser garantida, se não quisermos deixar o futuro da espécie humana nas mãos de um novo Stalin ou um novo Hitler. Não é necessário que um candidato à presidência da República seja um santo de virtudes inatacáveis; mas é preciso que defenda, em alto e bom som, esses dois mandamentos morais básicos, de origem divina, que estão no alicerce de nossa civilização: “honrar pai e mãe” (a defesa da família formada por pai, mãe e filhos) e “não matar” (a começar por inocentes no ventre materno).

50 MILHÕES DE ABORTOS POR ANO. Mais de 50 milhões de abortos são praticados por ano, em todo o mundo. Ou seja: mais de 50 milhões de assassinatos. Pior: assassinatos de filhos pelas próprias mães. No primeiro turno das eleições de 2018, vários candidatos afirmaram, sobre aborto, que a decisão de assassinar ou não o bebê era da mulher grávida. Portanto, como presidentes, institucionalizariam definitivamente essa covarde modalidade de homicídio. Matar bandidos, se em defesa pessoal, é uma atitude moralmente defensável; no entanto, matar ou concordar com o assassinato de inocentes indefesos é um ato da maior e mais indigna imoralidade. Políticos favoráveis ao aborto serão os primeiros a criarem programas de redução de natalidade entre os mais pobres, com farta distribuição de anticoncepcionais abortivos, sobretudo a “pílula do dia seguinte”, e a utilização da rede pública de saúde para abortos gratuitos (que a linguagem politicamente correta prefere chamar, eufemisticamente, de “interrupção de gravidez”). Esses candidatos, certamente, jamais pensaram na possibilidade de terem sido abortados por suas mães.

CONSEQUÊNCIAS MORAIS DO ABORTO. O Estado não tem o direito de institucionalizar o assassinato de seres inocentes e indefesos. A pessoa que começa por apoiar o assassinato de bebês intra-uterinos já está a um passo de concordar com a eliminação massiva de adversários políticos, como fizeram tantos líderes socialistas contemporâneos, provocando 100 milhões de mortes no século XX: China (65 milhões de mortos); União Soviética (20 milhões); Coréia do Norte (2 milhões); Camboja (2 milhões); África (1,7 milhão, distribuído entre Etiópia, Angola e Moçambique); Afeganistão (1,5 milhão); Vietnã (1 milhão); Leste Europeu (1 milhão); América Latina (150 mil entre Cuba, Nicarágua e Peru). Esses números aparecem, bem documentados, em obra lançada na França há mais de vinte anos: em 1997, saía O livro negro do comunismo, resultado de trabalho dirigido pelo professor Stéphane Courtois, diretor de pesquisas do Centro Nacional de Pesquisa Científica, da Universidade de Paris.