Agonia no Horto, Pietro Perugino (1483-1493)

Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Deus, o verdadeiro soberano da história”, clicar AQUI. A salvação não é uma “graça barata”, mas custa o preço do sangue de Cristo na cruz. No Evangelho deste domingo, Jesus fala de novo de sua paixão e, mais uma vez, os discípulos parecem não entender o que diz o Senhor, chegando ao ponto de disputar um lugar privilegiado no Céu. Nesta meditação, Padre Paulo mostra como essa “ignorância” dos Apóstolos também está presente em nossos corações, e indica-nos o caminho para Jesus ser o verdadeiro soberano de nossas almas.

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 53, 10-11)

O sofrimento redentor

O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos. Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor. Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita. Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas.

 

SALMO 32

O que nos libertou da morte

(Antífona): Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, pois, em vós, nós esperamos!

— Pois reta é a palavra do Senhor,/ e tudo o que ele faz merece fé./ Deus ama o direito e a justiça,/ transborda em toda a terra a sua graça.

— Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,/ e que confiam esperando em seu amor,/ para da morte libertar as suas vidas/ e alimentá-los quando é tempo de penúria.

— No Senhor nós esperamos confiantes,/ porque ele é nosso auxílio e proteção!/ Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Hebreus 4, 14-16)

Ele foi provado em tudo como nós

Irmãos: Temos um sumo-sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos. Com efeito, temos um sumo-sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno.

 

EVANGELHO (São Marcos 10, 35-45)

O servo soberano

Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir”. Ele perguntou: “O que quereis que eu vos faça?” Eles responderam: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” Jesus então lhes disse: “Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado”.

Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João. Jesus os chamou e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim; quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.

 

O CÁLICE DA SALVAÇÃO (Comentário de Scott Hahn)

No evangelho que nos é apresentado hoje, os filhos de Zebedeu não sabem o que estão pedindo. Seu modo de pensar evoca o modo como os gentios governam, com privilégios reais e honras.

Mas o caminho para o reino de Cristo é através da sua cruz. Para compartilhar sua glória, devemos estar dispostos a beber da taça da qual ele bebe.

A taça (ou “cálice”) é uma imagem que, no Antigo Testamento, se refere ao julgamento de Deus. Os maus teriam que dela beber em punição por seus pecados (v. Sl 75, 9; Jr 25, 15.28; Is 51, 17). Mas Jesus veio para tomar este cálice em nome de toda a humanidade. Ele veio para ser batizado, isto é, mergulhar ou submergir-se nos sofrimentos que merecemos pelos nossos pecados (v. Lc 12, 50).

Desta forma, ele cumprirá a missão prefigurada pelo Servo Sofredor de Isaías, sobre quem lemos na primeira leitura deste domingo.

Como o Servo de Isaías, o Filho do Homem dará a sua vida em oferecimento pelo pecado, assim como os sacerdotes de Israel ofereciam sacrifícios pelos pecados do povo (Lv 5, 17-19).

Jesus é o Sumo Sacerdote celestial de toda a humanidade, como se diz na epístola deste domingo. Os Sumos Sacerdotes de Israel ofereciam o sangue de bodes e bezerros no santuário do Templo. Mas Jesus entrou no santuário do céu com seu próprio sangue (v. Heb 9, 12).

E ao carregar nossa culpa e oferecer sua vida para cumprir a vontade de Deus, Jesus resgatou “muitos”, pagando o preço da redenção da humanidade, libertando-a da escravidão espiritual do pecado e da morte.

Ele nos libertou da morte, como dizemos com alegria no salmo de hoje.

Devemos permanecer firmes na profissão de nossa fé, como a Epístola desta Missa nos exorta. Precisamos ver nossas provações e sofrimentos como a parte que nos toca do cálice que Cristo prometeu àqueles que Nele crêem (v. Cl 1,24). Devemos lembrar que fomos batizados em sua Paixão e Morte (v. Rm 6, 3).

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