O conceito cristão do homem é ativo — o homem é livre; o conceito comunista do homem é, necessàriamente, passivo — o homem é um animal social obediente, cuja mais alta função é realizar o Piatiletka (Plano Qüinqüenal).

Assim sucede que o Comunismo, que começou por protestar contra a desumanidade do capitalismo, acabou por descapitalizar o capitalismo com a sua própria desumanidade.

O homem, para o Comunismo, não é um espírito livre, uma personalidade, porém função de um processo social.

O que é primário no Comunismo é o Partido, e o Partido controla o Estado.

Criando uma opinião pública que ele representa como a única possível, o Estado Soviético torna impotente a vontade do indivíduo, e guia na direção que bem lhe aprouver a vontade, aparentemente espontânea e livre, das massas.

Mesmo na nova Constituição proposta na Rússia, aos cidadãos não será permitido votar em diferentes partidos, mas somente em diferentes homens do mesmo partido. Que protesto não fariam os brasileiros se cada eleição fosse uma nomeação, e se eles só pudessem votar numa chapa! Como Troud, o órgão oficial dos operários soviéticos, o expõe: “A diferença essencial entre a existência de partidos no Mundo Ocidental e no nosso pais é a seguinte: um partido está no poder e todos os outros estão na prisão” (13 de Novembro de 1927).

O Comunismo criou uma instituição especial para tornar o homem passivo ao Partido, e tão cruel foi a perversidade dela, que, por amor da opinião mundial, julgou-se necessário mudar-lhe o nome de vez em quando; primeiramente foi a Cheka, depois a Ogpu, e agora é o Comissariado Interno.

Em 1931, quando Lady Astor se encontrou com Stalin, perguntou-lhe à queima-roupa: “Por quanto tempo ainda vai o sr. continuar matando gente?” Apanhado desprevenido, Stalin respondeu: “Por tanto tempo quanto for necessário”.

(Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).