JESUS PROFESSOR. Não é possível esquecer que Jesus foi professor, e o seu modelo de magistério é que está sendo abolido atualmente, sobretudo a necessidade de ser o mais claro possível naquilo que se ensina. “Que o teu sim seja sim, e o teu não seja não”, dizia o Mestre aos discípulos, “e o que passar disto vem do diabo.”

A PEDAGOGIA DO CRISTO. Em seu modelo pedagógico distinguem-se, entre outros aspectos, a distinção de papéis entre quem ensina e quem aprende, o falar com autoridade e coragem sem deixar de ser humilde, a correção fraterna dos discípulos, a cobrança do conteúdo ensinado, o vínculo estreito entre o que se ensina e o que se vive, a dedicação em tempo integral à sua missão (e em qualquer lugar onde estivesse), nada ensinar que não seja útil à vida eterna e, o que só Ele podia fazer, entremeando um milagre aqui e ali para mostrar Quem era.

JESUS NUNCA FEZ GREVE.  Jesus, que nem tinha onde reclinar a cabeça, também nunca reclamou do salário. Nem precisava: o que ensinava atraía de tal modo as pessoas, que nunca faltaram homens e mulheres de posses que lhe ajudassem materialmente. Não massificou seus ensinamentos. A cada faixa de público ensinava o que lhe fosse mais conveniente, tratando de forma diferente o público em geral, seus discípulos mais próximos e o círculo reduzido dos apóstolos.

TÉCNICAS DIDÁTICAS DE JESUS. É impossível, também, não falar da utilização que Ele fez de técnicas didáticas adequadas a seu público, sobretudo a parábola, em que era ao mesmo tempo criador literário e intérprete da própria criação. A própria Palavra de Deus, tal como aparece nas Escrituras, é também alta literatura. Infelizmente, nossos cursos de Letras nunca tratam Jesus, o Verbo Encarnado, como poeta, e, no entanto, os Evangelhos possuem farto material para os estudiosos de literatura. O Autor da salvação humana e principal mestre da moral ocidental foi, também, um mestre da linguagem figurada. Um poeta, para resumir numa só palavra; o Poeta dos poetas, cujas frases ficaram gravadas para sempre na memória das pessoas, cultas ou iletradas.

MESTRE DE ORAÇÃO. Professor Jesus Cristo, além de ensinar a melhor forma de viver, foi um grande mestre de oração, o maior de todos: ensinou a prece mais completa que existe, o Pai Nosso, que é a oração por excelência, onde em poucas palavras se condensam todas as coisas que temos de pedir a Deus. E não só ensinou a rezar, mas como rezar, recolhendo-se na solidão das horas mortas, em plena comunhão com o Pai. Nada há de mais sublime do que a prece cristã, essa linguagem especial para nos comunicarmos com Aquele que dá sentido às nossas vidas. O homem moderno, é certo, encontra sérias dificuldades em ajoelhar-se diante da magnificência divina, aceitando a misteriosa poesia da prece, com seu tom súplice de pedido humilde, de declaração explícita de inferioridade diante do Criador. Mas, se quiser salvar-se das tretas demoníacas, não há outra saída senão dobrar o joelho por terra e implorar: “Vinde, Senhor Jesus!”.