“[…] Cada sacerdote é um homem como qualquer outro, e pode sofrer o mesmo que qualquer um de nós. Mas se perguntarmos quais são os perigos especiais para a fé do sacerdote, temos que concluir que, em nosso mundo, eles fizeram morada ao lado do poder, do conforto e do prestígio, e não ao lado da fraqueza, da privação física e humilhação.

Não estou fazendo uma acusação, nem dizendo que os padres deveriam submeter-se a uma dieta de pão e água. Estou só reconhecendo um fato: nossos sacerdotes não perdem a fé por perseguição, mas por complacência.

O que acontece, se eles perdem a fé? Mais uma vez devemos ter o cuidado de lembrar os emaranhados e contradições que existem no coração humano. Nós fugimos da dura verdade. O desgraçado cardeal McCarrick pode ter acreditado que acreditava. Mas o que alguém faria se estivesse se tornando ateu, e toda a sua vida tivesse sido direcionada apenas para uma coisa: o ministério de Deus?

Já não poderia voltar ao antigo negócio, porque não teve nenhum. Não poderia vender seus serviços, porque não tem nenhum serviço para vender. Não poderia se dar ao luxo de entrar para uma escola, mesmo que pudesse suportar o constrangimento. Sem o hábito do trabalho físico pesado, não poderia trabalhar com uma equipe de paisagismo. Deveria, enfim, permanecer onde está.

Se essa pessoa é sincera, vai rezar e rezar, mortificar-se, procurar um diretor espiritual sadio e enfrentar a tempestade. Mas se é fraca e insincera, deixará a fé ficar cada dia mais tênue, enquanto, para sustentar sua imagem, dirá a si mesmo que é o precursor de uma nova fé, de uma nova maneira de acreditar. […]”

(Trechos de artigo de Anthony Esolen publicado aqui, em The catholic thing, no dia 16/09/2018)