Universidade de Bolonha, fundada pela Igreja na Idade Média

Haverá lugar para o cristianismo em nossa universidade repaganizada? Essa pergunta me fez lembrar uma conversa com velho colega, já aposentado. De vez em quando aparecia pelo campus para matar a saudade. Ainda estava com saúde, de pensamento ágil; só lamento que esteja longe da docência.

Naquele dia, eu tinha acabado de dizer algumas palavras sobre Alceu de Amoroso Lima, num simpósio qualquer, e ele se aproximou:

“Meu caro, é preciso recristianizar urgentemente a universidade!”

A meu lado ouvia-o um outro colega, porém mais cético com as coisas cristãs, que observou:

“Mas não do jeito como está sendo feito, professor: um grupo de alunos carismáticos vêm duas ou três vezes até uma sala do Prédio I e ali começam a cantar, a rezar desconexamente…”

O velho professor, que já foi marxista noutros tempos, não se deu por vencido:

“Por que não? É preciso trazer os valores cristãos de qualquer jeito para cá, seja por carismáticos católicos ou evangélicos. Do contrário, o relativismo ainda vai acabar com a universidade.”

Não me constava que o velho professor estivesse num processo de conversão; parecia-me antes ser daqueles católicos sem prática, mas que percebiam o quanto a Igreja e o mundo do conhecimento não podiam ficar separados, sob pena do Ocidente se fragmentar e falir.