Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Cristãos que não convertem ninguém”, clicar AQUI. O Evangelho deste domingo narra uma prática comum dos primeiros cristãos, que, por acreditarem no poder salvífico de Jesus Cristo, apresentavam-lhe toda sorte de doentes, do corpo e da alma, para que Ele os curasse. Para os cristãos de hoje, porém, essa já não é uma atitude tão óbvia. Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo mostra como o indiferentismo religioso está ameaçando a Igreja e indica os remédios para o surgimento de uma evangelização verdadeiramente nova.

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Is 35, 4-7a)

Deus vem para nos salvar

Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água.

 

SALMO 145

Os filhos bem amados de Deus

(Antífona): Bendize, ó minha alma, ao Senhor. Bendirei ao Senhor toda a vida!

— O Senhor é fiel para sempre,/ faz justiça aos que são oprimidos;/ ele dá alimento aos famintos,/ é o Senhor quem liberta os cativos.

— O Senhor abre os olhos aos cegos,/ o Senhor faz erguer-se o caído;/ o Senhor ama aquele que é justo./ É o Senhor quem protege o estrangeiro.

— Ele ampara a viúva e o órfão,/ mas confunde os caminhos dos maus./ O Senhor reinará para sempre!/ Ó Sião, o teu Deus reinará/ para sempre e por todos os séculos!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (São Tiago 2, 1-5)

Como não se amariam os filhos bem amados de Deus?

Meus irmãos: a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas. Pois bem, imaginai que na vossa reunião entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida, e também um pobre, com sua roupa surrada, e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe: “Vem sentar-te aqui, à vontade”, enquanto dizeis ao pobre: “Fica aí, de pé”, ou então: “Senta-te aqui no chão, aos meus pés”, não fizestes, então, discriminação entre vós? E não vos tornastes juízes com critérios injustos? Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?

 

EVANGELHO (São Marcos 7, 31-37)

Amar o próximo é apresentá-lo a Jesus

Naquele tempo, Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole.

Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!”

Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.

Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

 

ELE FEZ BEM TODAS AS COISAS
(Comentário de Scott Hahn)

Apenas São Marcos relata o episódio de que o Evangelho nos fala neste domingo. Nas palavras das pessoas está a chave principal: “Ele tem feito bem todas as coisas”. O texto grego, usado pelo evangelista, ecoa a história da criação, que diz: (v. Gn 1, 31) “Deus viu que tudo o que tinha feito era muito bom”.

Deliberadamente, São Marcos evoca a promessa do profeta Isaías que ouvimos na primeira leitura de hoje: que Deus fará os surdos ouvirem e falarem os mudos. Descreve, inclusive, a pessoa que é curada por Cristo, usando uma palavra grega (mogigalion, “impedimento da fala”), que só é encontrada em outro lugar da Bíblia: na tradução grega da passagem de Isaías que lemos neste domingo, onde o profeta afirma que “a língua dos mudos gritará de alegria”.

A multidão percebe que Jesus está fazendo o que o profeta previu. Mas São Marcos nos convida a ver algo muito maior, que poderia ser expresso com as palavras da primeira leitura: “É vosso Deus que vem”.

É notório quão pessoal e descritivo é o drama deste Evangelho. Ele nos pede para fixar nossa atenção em certa mão, alguns dedos, uma língua, a saliva. São Marcos nos ensina que, em Jesus, Deus realmente se tornou carne.

Ele fez novas todas as coisas; fez uma nova criação (v. Ap 21, 1-5). Como Isaías prometeu, Ele fez as águas vivas do batismo correrem pelo deserto do mundo. Ele libertou os cativos dos próprios pecados, como cantamos no salmo de hoje. Veio para que os ricos e os pobres possam sentar-se juntos no banquete eucarístico, conforme o que Sao Tiago nos conta em sua epístola.

Ele fez por cada um de nós o que tinha feito pelo surdo-mudo: abriu nossos ouvidos à Palavra de Deus e soltou nossas línguas para que possamos cantar seus louvores.

Portanto, novamente na Eucaristia, vamos dar graças ao nosso glorioso Senhor Jesus Cristo. Digamos com Isaías que aqui está o nosso Deus, que vem para nos salvar. Que sejamos ricos em fé, para que herdemos o reino prometido aos que O amam.

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