Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Uma religião de aparências”, clicar AQUI. Você vai à Missa no domingo só para se ver livre de Deus? Cumpre suas obrigações religiosas como quem se desfaz de um fardo incômodo? Tem uma mentalidade totalmente de acordo com o mundo e só não abandona a Igreja por medo de “parecer” feio? Na homilia deste domingo, Padre Paulo Ricardo mostra como muitos de nós, cristãos, nos comportamos como os fariseus da época de Jesus, esquecendo que a verdadeira religião brota não dos lábios, mas do coração.

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA ((Deuteronômio 4,1-2.6-8)

O sentido dos mandamentos divinos

Moisés falou ao povo, dizendo: “Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir, para que, fazendo-o, vivais e entreis na posse da terra prometida pelo Senhor Deus de vossos pais. Nada acrescenteis, nada tireis à palavra que vos digo, mas guardai os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que vos prescrevo. Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos, para que, ouvindo todas estas leis, digam: ‘Na verdade, é sábia e inteligente esta grande nação!’ Pois, qual é a grande nação cujos deuses lhe são tão próximos, como o Senhor nosso Deus, sempre que o invocamos? E que nação haverá tão grande que tenha leis e decretos tão justos, como esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos?”

 

SALMO 14

Palavras de vida eterna

(Antífona): Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo habitará?

— É aquele que caminha sem pecado/ e pratica a justiça fielmente;/ que pensa a verdade no seu íntimo/ e não solta em calúnias sua língua.

— Que em nada prejudica o seu irmão,/ nem cobre de insultos seu vizinho;/ que não dá valor algum ao homem ímpio,/ mas honra os que respeitam o Senhor.

— Não empresta o seu dinheiro com usura,/ nem se deixa subornar contra o inocente./ Jamais vacilará quem vive assim!

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Tiago 1, 17-18.21b-22.27)

Renascer pela Palavra

Irmãos bem-amados: Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto; descem do Pai das luzes, no qual não há mudança nem sombra de variação. De livre vontade ele nos gerou, pela Palavra da verdade, a fim de sermos como que as primícias de suas criaturas.

Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar as vossas almas. Todavia, sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Com efeito, a religião pura e sem mancha diante de Deus Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo.

 

EVANGELHO (São Marcos 7,1-8.14-15.21-23)

Purificar o coração

Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.

Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?”

Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”.

Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai, todos, e compreendei: o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”.

 

UMA RELIGIÃO PURIFICADA (Comentário de Scott Hahn)

O evangelho deste domingo nos mostra um Jesus-profeta, com autoridade para interpretar a lei de Deus.

Cristo cita Isaías de maneira irônica (v. Is 29, 13). Ao observar a Lei, os fariseus afirmam honrar a Deus assegurando que nada impuro entre em suas bocas. Com essa prática, no entanto, eles inverteram o significado da Lei, convertendo-a em um simples conjunto de ações externas.

O dom da Lei, mencionado na primeira leitura deste dia, é-nos dado plenamente no Evangelho de Jesus, que nos ensina o seu verdadeiro significado e propósito (v. Mt 5, 17).

A Lei, cumprida no Evangelho, existe para formar nossos corações e nos tornar puros, capazes de viver na presença do Senhor. Foi-nos dada para vivermos e tomar posse da herança que nos foi prometida: o Reino de Deus, a vida eterna.

Israel, por sua observância da Lei, tinha de ser um exemplo para as nações que a rodeavam. Como o Apóstolo Tiago diz na epístola de hoje, o Evangelho nos foi dado para que pudéssemos ter um novo nascimento através da Palavra da Verdade. Vivendo de acordo com a Palavra que recebemos, podemos ser exemplos da sabedoria de Deus para aqueles que estão ao nosso redor. Nós podemos ser os primeiros frutos de uma nova humanidade.

Isso significa que devemos colocar a Palavra em prática, e não apenas ouvi-la. Como cantamos no salmo deste domingo, e ouvimos na epístola, temos que trabalhar pela justiça, cuidando de nossos irmãos e vivendo de acordo com a verdade que Deus colocou em nossos corações.

A Palavra que nos foi dada é um dom perfeito. Nós não devemos acrescentar-lhe devoções vãs e desnecessárias. Nem devemos reduzi-la aos mandamentos de que gostamos ou queremos escolher.

“Ouça-me”, diz Cristo no Evangelho neste domingo. Ele nos convida, hoje, a examinarmos a nossa resposta à Lei de Deus.

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