Há toda uma mentalidade mundial, patrocinada com muito dinheiro, disposta a destruir o cristianismo.  Um dos alvos preferidos é a infância, pois, como diz o ditado, é de pequenino que se torce o pepino. Bom exemplo dessa doutrinação anticristã ocorreu há alguns meses, na Itália [http://www.lanuovabq.it/it/strega-a-scuola-parola-dordine-minimizzare]; um fato que, em breve, será rotina em nossas escolas: os “bambinos” da primeira série de uma escola primária, na cidade de Mocasina, tiveram um aula diferente, completamente fora do padrão.

A “professora”, atriz freelancer que pega uns bicos aqui e ali, foi contratada pela direção especialmente para aquele evento. Vestia-se como cidadã da Índia e apresentava-se como “bruxa Romilda”. A sala havia sido decorada especialmente para o encontro: um ambiente vagamente mágico, com paredes revestidas de panos coloridos que lembravam algum lugar do Oriente, talvez uma tenda árabe.

Sentados sobre um grande tapete de estampa persa, os alunos ouviam atentamente a bruxa Romilda, que durante uma hora leu contos de fadas, fez invocação de espíritos e, para os proteger os “piccolini” da má sorte, distribuiu-lhes vários amuletos. Não faltaram poções mágicas, que as crianças acabaram bebendo, meio fascinadas e meio espantadas.

A bruxa chamava-se, na realidade, Ramona Parenzan, e se autoproclamava “bruxa sincrética intercultural”. Sua performance, considerada do ponto de vista não cristão, ou por cristãos “progressistas”, não passaria da coisa mais inocente do mundo, alinhada à moda literária e cinematográfica atual de histórias cheias de bruxas e de magia. Não foi assim, porém, que pensaram algumas mães cristãs, que procuraram a direção da escola para satisfações, e o fato acabou chegando à imprensa mais conservadora.

A senhora Ramona tem visitado, regularmente, escolas infantis para essas performances “religiosas” — melhor dizendo, “interreligiosas”. Em geral, faz o que fez na escola de Mocasina: lê contos de fadas, invoca espíritos e distribuiu amuletos e poções entre os alunos — uma verdadeira salada mista religiosa, com ingredientes de todas as grandes religiões do mundo, sob medida para agradar ao paladar ecumenista de nossa época, preparando as crianças para o novo tipo de religiosidade que prevalecerá daqui para a frente.

Suas oficinas e projetos visam abrir o horizonte das nossas crianças; afinal, elas irão viver num mundo em que não haverá mais sentido uma única religião, sobretudo o cristianismo (considerado exclusivista e repressor). Dona Ramona (ou bruxa Romilda) é uma militante multicultural que crê no poder liberador (e remunerador) do seu “workshop”; uma profissão promissora, em vista do clima multiculturalista que domina o mundo de hoje, que os intelectuais chiques da universidade batizaram de pós-moderno.

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No que crêem, no que crerão as futuras gerações, bombardeadas por tantas pregações “interreligiosas”? O norte-americano Christian Smith, sociólogo da Universidade de Notre Dame, depois de ampla pesquisa de campo, chegou à conclusão de que, para as novas gerações — que não mais têm os ensinamentos da Igreja como baliza de seu comportamento moral e espiritual —, continua havendo um genérico Deus criador, que cuida do mundo criado, mas não se intromete na vida das pessoas, exceto quando é preciso convocá-Lo para resolver algum problema. Esse Deus deseja que as pessoas sejam boas, gentis e justas umas com as outras, para que possam merecer o paraíso após a morte. O principal objetivo da vida é ser feliz e sentir-se bem consigo mesmo, como prega a mentalidade new age.

Christian Smith chamou essa nova religião de “deísmo moralístico-terapêutico”. É deísta, pois é um tipo de crença que admite a existência de Deus, mas não reconhece os ensinamentos teológicos e morais da Igreja; é terapêutico, já que acreditar em Deus garante estabilidade emocional; e é moralista, por permitir o mínimo de organização social necessária à vida coletiva.