Está escrito no livro da Gênese, nessa história cheia de um mistério infinito,
Que José, quando se lê que encontrou os irmãos, depois de longa permanência no Egito,
Fez sair toda a assistência, antes de lhes manifestar a face:
(Egito, que em hebreu quer dizer trevas, é por excelência esta terra em que vivemos, escura e baixa),
Pois não convinha que alguém estivesse presente naquele instante sagrado,
Do irmão que se virou para nós e pediu para ser encarado.
Assim quis o Cristo, porque era forte o coração deles, ou talvez num amor imenso esteja o segredo,
A muitos santos e santas aqui embaixo só se mostrar do lado esquerdo.
Tudo o que estes fazem, simula não ter reparado.
Quando rezam, dir-se-ia que escuta outra coisa, e seu rosto permanece voltado.
Mas eles sabem, sorriem, e nenhum se lastima,
E voltam tranqüilamente para a semeadura e a vindima,
Pois àquele que crê, a fé é suficiente.
O que a eternidade nos reserva, não é preciso vê-lo nesta vida presente.
Bons servidores, conheceis vosso dever, e é bastante.
A necessária luz é convosco, e o caminho traçado de avante.
E quando vosso Criador se volta para vós, com seu Olhar em que a cólera não mora,
Ele não quer nem que os homens nem que os anjos sejam testemunhas dessa hora.

(Trad. de Carlos Drummond de Andrade)