Gregório, chamado o Grande, nasceu em Roma, próximo ao ano de 540, de uma família senatorial antiga, a gens Anicia. Desempenhou a função de pretor até a morte de seu pai, quando se tornou monge e transformou sua casa, em Roma, num mosteiro. Contra a própria vontade, foi nomeado papa (de 590 a 604, ano de sua morte), após a morte do papa Pelágio II, em cujo pontificado Gregório desempenhou o cargo de apocrisiário (legado papal) em Constantinopla, como diácono que era.

Pela mansidão e integridade de seu caráter, e por sua insuperável atividade, foi considerado um dos grandes papas da história. Do ponto de vista político, foi a providência da Itália. Naqueles tempos de guerra e fome, ele usou largamente de sua fortuna pessoal e as riquezas acumuladas por seus predecessores, graças à generosidade dos fiéis (esses bens eram conhecidos pelo nome de Patrimônio de São Pedro) para socorrer as necessidades das pessoas e fazer as pazes com os lombardos.

Do ponto de vista religioso, lutou energicamente contra os donatistas da África, os sintonícios da Gália e protestou contra as pretensões do patriarca de Constantinopla, João, o Jejuador, que tomou o título de patriarca ecumênico. Também trabalhou na reforma dos costumes do clero secular e na disseminação da regra beneditina. Fundou, em Roma, uma escola de canto que serviu de modelo a outras escolas, tendo propagado o chamado canto gregoriano. Com a publicação do seu Sacramental (599), reformou a liturgia.

Seu maior feito, no entanto, foi a evangelização dos povos germânicos e, muito particularmente, a conversão da Inglaterra. Conta-se que, quando ainda era um simple monge, passando um dia pelo mercado de escravos de Roma, viu uns jovens anglo-saxões expostos à venda: desde então, fez o propósito de converter aquelos pobres angli em angeli. Elevado à dignidade papal, e não podendo pessoalmente realizar seus desejos, encarregou essa missão a santo Agostinho de Cantuária e a otros quarenta beneditinos, que partiram com a expressa indicação do papa de que conservassem o caráter e respeitassem os costumes da nação.

(Em: Auguste Boulanger, História da Igreja)