Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Refeição espiritual”, clicar AQUI. No Evangelho deste domingo, a multidão que foi agraciada pela multiplicação dos pães sai à procura de Cristo querendo mais milagres. Mas Nosso Senhor a repreende: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”. De que alimento, porém, está falando Jesus? Como podemos ter acesso a este “Pão da Vida”, saciado do qual ninguém “terá mais fome”? 

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Êxodo 16, 2-4.12-15)

Apego às coisas perecíveis

Naqueles dias, 2a comunidade dos filhos de Israel pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, dizendo: 3“Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Por que nos trouxestes a este deserto para matar de fome a toda esta gente?”

4O Senhor disse a Moisés: “Eis que farei chover para vós o pão do céu. O povo sairá diariamente e só recolherá a porção de cada dia, a fim de que eu o ponha à prova, para ver se anda ou não na minha lei. 12Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Dize-lhes, pois: ‘Ao anoitecer, comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus’”.

13Com efeito, à tarde, veio um bando de codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. 14Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra.

15Vendo aquilo, os filhos de Israel disseram entre si: “Que é isto?” Porque não sabiam o que era. Moisés respondeu-lhes: “Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento”.

 

SALMO 77

Confiança no Deus provedor

(Antífona): O Senhor deu a comer o pão do céu.

Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos, e transmitiram para nós os nossos pais, não haveremos de ocultar a nossos filhos, mas à nova geração nós contaremos: as grandezas do Senhor e seu poder.

Ordenou, então, às nuvens lá dos céus, e as comportas das alturas fez abrir; fez chover-lhes o maná e alimentou-os, e lhes deu para comer o pão do céu.

O homem se nutriu do pão dos anjos, e mandou-lhes alimento em abundância; conduziu-os para a Terra Prometida, para o Monte que seu braço conquistou.

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Efésios 4, 17.20-24)

O homem novo é o que se alimenta de Deus

Irmãos: 17Eis, pois, o que eu digo e atesto no Senhor: não continueis a viver como vivem os pagãos, cuja inteligência os leva para o nada. 20Quanto a vós, não é assim que aprendestes de Cristo, 21se ao menos foi bem ele que ouvistes falar, e se é ele que vos foi ensinado, em conformidade com a verdade que está em Jesus. 22Renunciando à vossa existência passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, 23e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. 24Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.

 

EVANGELHO (São João 6, 24-35)

O alimento que permanece

Naquele tempo, 24quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?” 26Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?”

29Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”.

30Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”.

32Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”.

34Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. 35Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

 

TESTE DE RESISTÊNCIA (Comentário de Scott Hahn)

O caminho do discipulado é um êxodo de toda a vida, da escravidão do pecado e da morte à santificação pela verdade no Monte Sião, a terra prometida da vida eterna.

O caminho pode se tornar difícil. E quando isso acontece, podemos ser tentados a reclamar, tal como os israelitas fizeram na primeira leitura desta semana.

Devemos ver esses momentos de dificuldade como uma prova para avaliar como estão os nossos corações, como um chamado para confiar mais em Deus e purificar os motivos de nossa fé (v. Deuteronômio 8, 2-3).

Como São Paulo nos lembra na epístola desta semana, devemos deixar para trás nossas velhas decepções e desejos, passando a viver segundo a nossa semelhança com Deus, a partir da qual nós fomos criados.

É o que, no Evangelho desta semana, Jesus diz às multidões, que o estão seguindo pelas razões erradas. Procuram-No porque Ele os alimentou. Os israelitas também estavam felizes de seguir a Deus, enquanto tinham comida em abundância.

A comida é o mais evidente dos sinais, pois é a mais básica de nossas necessidades humanas. Precisamos do nosso pão de cada dia para viver. Mas não podemos viver só de pão. Necessitamos do pão da vida eterna, que preserva todo aquele que crê no Senhor (v. Sab. 16, 20 e 26).

O maná no deserto, como o pão que Jesus multiplicou para a multidão, era um sinal da providência de Deus: devemos ter confiança que Ele proverá.

Estes sinais nos remetem para o seu cumprimento na Eucaristia, o abundante pão dos anjos que cantamos no Salmo desta semana.

A Eucaristia é o alimento que Deus deseja nos dar. Este é o pão que deveríamos procurar. Muitas vezes, no entanto, não é este o pão que pedimos. Em vez disso, procuramos as coisas perecíveis solicitadas por nossos desejos e ansiedades cotidianas. Em nossa fraqueza, pensamos que essas coisas são o que realmente necessitamos.

Devemos confiar mais em Deus. Se buscarmos primeiramente o seu Reino e sua Justiça, todas essas coisas nos serão acrescentadas (v. São Mateus 6, 33).

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