Obras bem documentadas têm mostrado, nas últimas décadas, como a Organização das Nações Unidas foi completamente reestruturada, a partir dos anos sessenta, com suas agências — Unicef, Unesco, OMS, OMC, IPCC etc. — passando a funcionar como instrumentos para a criação de um “governo mundial”, responsável por uma verdadeira revolução cultural no planeta, cujo principal objetivo é destruir a família pela promoção da “ideologia de gênero”.

Boa pesquisa sobre a ONU se encontra no trabalho da jornalista e professora belga Marguerite A. Peeters: Marion-ética, os peritos da ONU impõe suas leis. Há tradução espanhola pela editora espanhola Rialp, publicada em 2007.

O livro de Marguerite Peeters, que hoje ensina na Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma, focaliza mais especificamente os “três princípios inegociáveis” defendidos pelo Papa Bento XVI (defesa da vida em todas as suas fases, da concepção à morte natural; casamento como união permanente entre um homem e uma mulher; direito dos pais de decidir sobre a educação dos próprios filhos.), e as ações realizadas pela ONU em nível mundial para afrontá-los, através da revolução feminista, sexual e cultural.

A autora apresenta a nova ética que deve ser imposta ao mundo, e que é exatamente o contrário dos “três princípios inegociáveis” de Bento XVI (que, diga-se, não representam opinião particular do Papa emérito, mas verdade defendida desde sempre pelo cristianismo católico). Identifica, a seguir, os artífices dessa nova ética, com as técnicas e estratégias utilizadas em sua implantação, que prevê sutil manipulação do poder judiciário, do sistema educacional, da grande mídia, das instituições políticas e das próprias religiões, com um objetivo bem preciso: promover uma ambiciosa obra de engenharia social que substitua hábitos, costumes e ideias dos cristãos.

Revela, sobretudo, o incansável trabalho realizado no campo das religiões pelos agentes da ONU, que passaram da confrontação direta e agressiva dos cultos e tradições, a métodos mais inteligentes de assédio, escondidos sob a aparência de colaborações e alianças. Sabem que o ser humano não vive sem alguma forma de religiosidade; e, em vez de destrui-la, pretendem agora modifica-la, adaptando-a aos desígnios da chamada “nova ordem mundial”.

O que fazem eles? Buscam fragmentar “por dentro” a unidade do corpo eclesial e dos fiéis, que são agora levados a questionar os dogmas e reivindicar seus direitos sexuais e reprodutivos, em nome — eis aqui a suma esperteza — de sua própria tradição religiosa. Para isto, estimulam nos teólogos que identifiquem em seus próprios textos sagrados argumentos que apoiem o pensamento globalista. O trabalho dos agentes da ONU estará bem perto do sucesso quando conseguirem transformar a “nova ética” em dever religioso…

O historiador inglês Arnold Toynbee acreditava que, pelo andar da carruagem da História, seria inevitável um governo mundial. Restava saber, dizia ele, se seria democrático ou totalitário. Se depender das agências da ONU e do poderoso financiamento internacional que recebem, estará seguramente mais perto do segundo tipo.

Até agora, as mudanças revolucionárias das últimas décadas só tem resultado em “fragmentação familiar, social e intergeracional; solidão e abandono dos velhos; carências e feridas afetivas de crianças que vivem em famílias monoparentais ou reconstituídas; aumento das depressões; desestruturação antropológica; fracassos escolares; desorientação profissional; aumento dos suicídios, do desespero e da sensação de insegurança de muitos jovens, que se refugiam na droga, na violência, nas seitas e no satanismo; perda das tradições culturais e da fé.” (Marguerite Peeters, obra citada)

Que analgésico poderia remediar tanto sofrimento, causado pela obstinada negação da realidade que se encontra no projeto delirante da “nova ordem mundial” e das atuais agências da ONU?

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